TRAGÉDIA

Rússia e Cazaquistão evacuam mais de 100 mil em meio às piores enchentes em 70 anos

Autoridades russas anunciaram 6.500 retiradas e mais de 10.550 casas inundadas nos Urais e na Sibéria. Em cinco regiões do Cazaquistão, a água inundou mais de 3.700 casas.

09/04/2024 | Tempo de leitura: 3 min
da Folhapress

Reprodução/RTV

As enchentes foram causadas por chuvas torrenciais e um rápido degelo devido ao aumento das temperaturas.
As enchentes foram causadas por chuvas torrenciais e um rápido degelo devido ao aumento das temperaturas.

A Rússia e o Cazaquistão ordenaram a retirada de mais de 100 mil pessoas nas últimas duas semanas depois que a neve derretida fez com que rios transbordassem rapidamente, anunciaram as autoridades de ambos os países nesta terça-feira (9). São as piores inundações nas regiões em pelo menos 70 anos.

As enchentes foram causadas por chuvas torrenciais e um rápido degelo devido ao aumento das temperaturas. As operações de resgate ocorreram no oeste e no norte do Cazaquistão.

Autoridades russas anunciaram 6.500 retiradas e mais de 10.550 casas inundadas em regiões nos Urais e na Sibéria. Em cinco regiões do Cazaquistão, a água inundou mais de 3.700 casas e os rios continuam a transbordar.

O presidente do Cazaquistão, Kassym Jomart Tokayev, alertou para um dos piores desastres naturais dos últimos 80 anos e acusou as autoridades locais de falta de preparação.

O dilúvio de água derretida sobrecarregou dezenas de assentamentos nos Montes Urais, na Sibéria e em áreas do Cazaquistão perto de rios como o Ural e o Tobol. Segundo as autoridades locais, foram os níveis mais altos já registrados nesses locais.

Na Rússia, a região de Orenburg é a mais afetada, devido às cheias do rio Ural, o terceiro mais longo da Europa que rompeu uma barragem na última sexta-feira (5). O prefeito da cidade homônima mencionou inundações "sem precedentes" que poderão atingir níveis máximos na quarta-feira (10).

Barragens e diques foram sendo reforçados na cidade de Orenburg, com mais de meio milhão de habitantes, à medida que o rio Ural subia até quase 10 metros de altura, os moradores remavam pelas estradas como se fossem rios.

As autoridades também emitiram alertas de emergência e solicitaram retiradas em Kurgan, uma cidade às margens do rio Tobol, e em Tyumen, uma importante região produtora de petróleo da Sibéria Ocidental - a maior bacia de hidrocarbonetos do mundo.

"Os dias difíceis ainda estão por vir para as regiões de Kurgan e Tyumen", disse o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, aos repórteres. "Há muita água chegando."

O Kremlin disse que o presidente Vladimir Putin estava sendo constantemente atualizado sobre a situação, mas que não tinha planos imediatos de visitar a zona inundada. Manifestantes em Orsk gritaram "que vergonha" para os governantes que, segundo eles, tinham feito pouco.

Em Kurgan, uma região com cerca de 800 mil residentes, imagens de drones mostraram tradicionais casas de madeira russas e as cúpulas douradas das igrejas russas encalhadas em uma vasta extensão de água.

Autoridades russas também disseram que algumas pessoas ignoraram os pedidos de retirada. "Nós entendemos muito bem, é difícil deixar seus pertences e mudar-se para algum lugar a pedido das autoridades locais", disse o governador de Kurgan, Vadim Shumkov.

Os danos causadas pelas inundações ainda não ficaram claros para as autoridades, já que o derretimento da neve é um evento anual na Rússia. Os cientistas dizem que as alterações climáticas tornaram as inundações mais frequentes em todo o mundo.

O mês de março de 2024 foi o considerado mais quente para o período na história da humanidade, de acordo com dados divulgados pelo Serviço de Mudanças Climáticas Copernicus (C3S), financiado pela União Europeia,

Segundo o Copernicus, os recordes mensais de calor vêm ocorrendo desde junho de 2023. O serviço aponta que a temperatura média em março de 2024 foi 1,68°C acima de um março típico no período pré-industrial (1850-1900).

O observatório já tinha confirmado aquilo que os dados preliminares já antecipavam: 2023 foi o ano mais quente desde o começo da série histórica, em 1850.

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