A diferença do preço entre feiras e mercados, no Estado de São Paulo, chega a 30%; já no Rio de Janeiro um pouco menos, índice é de 22%
O araçatubense está tentando fugir do aumento dos preços das frutas, verduras e legumes recorrendo às feiras livres. Produtos como a cenoura chegou a R$ 10,00 o quilo nos supermercados nas últimas semanas. Nos espaços abertos, é possível comprar por até R$ 8,00.
Araçatuba tem feira livre às quartas-feiras na Avenida dos Estados; sábados na praça da Igreja Paraíso e domingo na Praça Olímpica. Ainda há a feira do produtor às terças na Praça Getúlio Vargas. Alguns condomínios também têm promovido vendas diretas internamente. A aposentada Ana Alice Lopes, moradora do bairro São Joaquim, disse ontem à reportagem da Folha da Região, que tem revivido o hábito de ir à feira para economizar.
“Está tudo muito caro. Na feira, a gente consegue negociar, ir em várias barracas e pechinchar. Comprar no mercado é mais fácil, porque a gente já pega outras coisas. Mas, é preciso andar para gastar menos”, disse ela, que ainda ensina que ir às feiras nos últimos horários ainda ajuda a comprar mais barato.
Ontem (25), a Associação Proteste, que é uma instituição sem fins lucrativos especializada em defesa do consumidor, publicou uma pesquisa que comprova o sentimento do araçatubense. De acordo com o levantamento da instituição, a diferença do preço entre feiras e mercados, no Estado de São Paulo, chega a 30%. No Rio de Janeiro, o índice é de 22%.
Os alimentos pesquisados foram banana prata, laranja pera, limão taiti, maçã gala nacional, pêssego, uva thompson, alho, batata, berinjela, cebola, cenoura e tomate, alface crespa, brócolis e espinafre.
DINÂMICO
A associação também lembra que os preços nas feiras livres são dinâmicos e mudam durante um mesmo dia - além disso, é mais fácil pedir desconto. “O consumidor pode aproveitar a hora da xepa, e nem todos os produtos vendidos nessa hora são de baixa qualidade”, diz a instituição.

Apesar do resultado da pesquisa, a Proteste diz que a feira traz maiores riscos de golpe contra o consumidor, porque não há padronização nos parâmetros dos produtos vendidos, muitas vezes sem balança.
Em supermercados, a recomendação da Proteste é que o consumidor vá em dias específicos de promoção de hortifrútis. Também é válido não fazer compras nos primeiros dias do mês, pois é “quando a maioria das pessoas recebe salários, aposentadorias e pensões”.
Por fim, o Proteste sugere que o consumidor aproveite os produtos de “época”, por terem preços mais baratos. Como é comum, principalmente nas feiras, a venda de frutas e legumes é feita por lote, dúzia, bacia, saco, pacote ou unidade, então, a estratégia adotada para possibilitar a comparação foi a de considerar o peso médio dos produtos que não são vendidos a quilo.
EM ALTA
Pesquisa da Producer Marketing Association no Brasil (PMA Brasil) mostra que o consumo de frutas e hortaliças cresceu 20% na pandemia, porém apenas 24,1% dos brasileiros ingeriram a quantidade de frutas e hortaliças recomendada pela Organização Mundial da Saúde (OMS).
A quantidade recomendada é de 400 gramas por pessoa ao dia em cinco ou mais dias da semana. As mulheres consomem mais: 28,3% das entrevistadas atingiram esse volume ideal, enquanto no caso dos homens foram apenas 19,3%. A fruta mais consumida no país e no mundo é a banana. A batata é o legume mais consumido no mundo.
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