Araçatuba

Pianista Rafa Castro lança curta-metragem sobre problemas do Brasil

Por Redação |
| Tempo de leitura: 3 min
ARTISTA Rafa Castro começou sua carreira como compor e compositor para trilhas de cinema e teatro. Crédito da foto: Divulgação
ARTISTA Rafa Castro começou sua carreira como compor e compositor para trilhas de cinema e teatro. Crédito da foto: Divulgação

Pouco mais de um ano depois do disco 'Teletransportar', cantor e compositor mineiro estreia registro audiovisual homônimo

O cantor, compositor e pianista Rafa Castro, 32 anos, lançou um curta-metragem chamado “Teletransportar”, baseado no seu álbum de mesmo nome. O filme foi lançado ontem (22), em seu no YouTube.

Rafa começou a compor fazendo trilhas para cinema e teatro. Isso sempre aguçou a criatividade do mineiro de São João Nepomuceno que vive em São Paulo há sete anos. “Criou fagulhas para toda a minha criação”, ele comenta.

O músico, no entanto, sempre quis experimentar o caminho inverso: que suas canções fossem o mote para a criação de um projeto audiovisual. “Minha música sempre foi muito cheia dessa força imagética”, completa.

Em abril de 2020, o músico lançou o seu quarto álbum “Teletransportar”, mas antes disso ele já trocando ideias com o diretor André Inácio, que já estava recebendo o material, mas os planos tiveram de ser adiados por conta da pandemia.

“Nossa conversa sempre foi muito frequente, até que entendemos que, de fato, esse disco ia contar uma história sobre o momento que estamos vivendo”, diz Castro.

ENREDO

“Teletransportar” é a história de Juliano, interpretado pelo bailarino Diogo Granato, um professor que, em meio à pandemia, se vê distante da sala de aula. Para sobreviver, ele embarca solitário, no banco de sua bicicleta, em jornadas como entregador de aplicativos pelas ruas de São Paulo, enquanto encara a realidade e as pessoas estranhas em suas próprias rotinas alteradas. Contra a dureza das ruas, Juliano tem o amor da mulher e da filha em casa. É a história de Juliano, mas também de milhões de brasileiros.

“Teletransportar” busca na linguagem do cinema o instrumento para falar sobre o Brasil dos dias de hoje, casando às imagens versos de três canções do disco: a faixa-título, “Cacos de Vitral” e “Cicatriz”. Com poesia e sutileza, o filme fala do caos, do medo e do desespero, mas também deixa transparecer a esperança, o afeto e o acolhimento.

“Mas sonho com um mundo mais fraterno/ Pois sei que ditadores morrerão/ Assim o arco da história nos insiste em contar/ Que tudo vai passar/ Enquanto eu penso em teletransportar”, diz a canção-título.

A música nasceu das reflexões de Rafa Castro, impactado por rompimentos criminosos de barragens, desmatamento recorde, fogo na Amazônia e ganâncias desmedidas. O compositor diz que ao mesmo tempo em que estamos falando de avanços tecnológicos, criações científicas e viagens espaciais pagas, tivemos que voltar a dialogar noções básicas de respeito e humanidade.

“Vejo tudo isso muito assustado, perdemos completamente a mão do que é nosso convívio fraterno”, pondera o artista. “O curta fala disso tudo, é denso, mas também fala sobre esperança e força. É um retrato muito humano do que estamos tentando passar. A gente não faz ideia do tamanho da grandeza histórica desse momento. Estamos tentando sobreviver e a sobrevivência passa por isso: angústia e medo, mas sem deixar de sonhar e lutar pelo dia a dia”, completa o mineiro.

DISCO

Lançado em abril do ano passado, o álbum tem 11 faixas e é um trabalho totalmente calcado na canção, diferentemente dos instrumentais “Teias” (2014) e “Casulo” (2016), totalmente instrumentais, e de “Fronteira” (2017), que já aponta para o caminho atual.

“Em ‘Teletransportar’ eu me dedico inteiramente à força da palavra, também assumi boa parte das letras. A palavra e a poesia ganham protagonismo”, ele afirma. Do disco, o single “Cheiro de Mar” ganhou videoclipe, lançado em abril.

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