Araçatuba

'Lenda urbana' do WhatsApp assusta criança de Araçatuba e alerta para cuidados com uso de celular

Por Redação |
| Tempo de leitura: 4 min
Uma nutricionista de Araçatuba não imaginava a dor de cabeça que teria quando o filho dela de 8 anos viu no celular da irmã a imagem da Momo, uma lenda urbana envolvendo um número de telefone do WhatsApp que envia mensagens perturbadoras para aqueles que tentam entrar em contato com ela. Ela contou que o filho estava brincando com o celular quando a criança recebeu mensagem com a imagem da Momo pedindo para "possuir". Em seguida, a pessoa do outro lado ligou via WhatsApp e a criança ficou apavorada. "Salvamos o número, tentei ligar de volta e várias crianças atenderam. No dia seguinte consegui através do número chegar ao responsável da linha, no caso a mãe da criança. Ela não tinha ideia do havia acontecido", afirmou. "Chegamos à conclusão que umas crianças da sala da minha filha, que têm o número dela, ligaram desse celular. Na hora, meus filhos ficaram muito assustados, tremiam e choravam muito. O mais novo passou mal mesmo, de medo", lembra. "Mesmo após saber que foi trote, ficou assustado, sem dormir à noite, por uma semana", completa. A mãe da outra criança, que aterrorizou o filho da nutricionista, se desculpou. O filho, dono do celular, tem 10 anos. Apesar de ter sido uma "brincadeira", a lenda da Momo tem se espalhado pela internet nos últimos dias. De acordo com informações divulgadas na própria rede mundial de computadores, tudo começou quando alguém compartilhou um número de telefone dizendo que supostamente amaldiçoado. Quando esse número é adicionado na agenda, aparece a imagem da Momo, que é na verdade uma escultura, parte da exposição Ghost, da Vanilla Gallery, em Tóquio. Esse número, inclusive, seria do Japão. O desafio não era apenas adicionar o número de telefone, mas falar com a Momo. Supostamente a pessoa por trás do número é capaz de falar em vários idiomas e iniciar uma conversa. Vários internautas decidiram escrever para tentar a sorte, mas o que encontraram não foi nada agradável - imagens violentas, agressivas e até ameaças. Dentre as histórias que são contadas sobre quem escreveu para Momo, está o fato de que aparentemente essa pessoa sabia sobre suas vidas. Momo tinha informações sobre amigos próximos, lugares frequentes e certas atividades. Outras pessoas descreveram que receberam ameaças ou mensagens aterrorizantes. Não há informações sobre a disseminação dos jogos da Momo no Brasil, mas o que se sabe é que tem pessoas usando a personagem para aplicar golpes ou assustar pessoas. Por causa da disseminação da Momo no WhatsApp, a RSB (Rede Salesiana Brasil) divulgou um comunicado alertando os pais. Segundo a nota, "essa personagem lança um jogo com desafios que vão do sufocamento até o enforcamento, com suposta vítima no Brasil". "Há notícias de que as crianças e adolescentes são estimuladas a telefonarem para a boneca Momo e nessas conversas, as crianças são induzidas a passarem seus contatos e informações para pessoas com perfis falsos que agem de má-fé", diz trecho do comunicado. "Por isso, alertamos aos pais e/ou responsáveis a estarem cada vez mais próximos de seus filhos e atentos a essa armadilha virtual, que ameaça as crianças e adolescentes, usando de sua inocência, aterrorizando as famílias e retirando a paz da sociedade.", fecha a nota. Para a psicóloga Isabela Christófano Junqueira, cada vez mais crianças e adolescentes têm acesso à internet, seja para assistir vídeos, fazer pesquisas, acessar redes sociais ou jogar. "Tratando-se ainda de crianças e adolescentes, os pais devem possuir atenção especial sobre de que forma os filhos usam a internet, tanto dentro como fora de casa. É importante que os pais acompanhem os acessos virtuais dos filhos da mesma forma como é feito no mundo real", orienta. Ainda segundo a especialista, é interessante que os pais conversem com os filhos e, com sinceridade, revelem suas preocupações, enfatizando que a família não quer controlar as ações do jovem, mas, sim, protegê-lo dos perigos tão presentes na internet. "A melhor saída é promover o dialogo e ensinar seu filho a reconhecer as ameaças para poder evitá-las. Embora muitas ferramentas estejam disponíveis, a melhor forma de evitar que uma criança tenha acesso a um conteúdo considerado impróprio, violento, sexual e abusivo é acompanhar de perto a navegação dela e falar abertamente sobre os riscos possíveis na Internet", comenta. Conforme Isabela, é importante ressaltar que os pais podem observar mudanças no comportamento como isolamento repentino, solidão e apatia. Essas alterações podem ser sinais de que algo não vai bem. E ao tomar consciência da situação do filho, os pais devem procurar ajuda psicológica.

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