O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, afirmou nesta quinta-feira (29) que ninguém aprova a situação de Flávio Bolsonaro (PL), em referência à fuga para os EUA do candidato derrotado e à carta com teor golpista divulgada por ele em que reitera não aceitar o resultado das urnas e fala em fraude.
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Valdemar falou com a imprensa após visitar Jair Bolsonaro (PL), que cumpre prisão domiciliar por tentativa de golpe de Estado. O dirigente afirmou que o ex-presidente não sabia que o filho mais velho fugiria para os EUA nesta terça-feira (27), após ter perdido a eleição presidencial para Lula (PT).
Ao chegar ao condomínio, em Brasília, Valdemar respondeu apenas "não gostei", ao ser questionado sobre a carta em que, em uma primeira versão, Flávio se autodeclara "presidente" —em seguida ele trocou por "líder". O documento foi divulgado nesta quarta-feira (28).
Na saída, o presidente do PL disse que não tratou com Bolsonaro a respeito da fuga ou da carta de Flávio, mas deixou clara sua desaprovação, afirmando que quer tocar o país e o partido para frente.
"Não tocamos nesse assunto. Ninguém aprova a carta. Ninguém aprova isso", disse.
"O deputado está sofrendo muito lá porque pelo que ele passou. Mas nós, é lógico que ninguém concorda com isso. Nós queremos tocar o país para frente, queremos tocar o partido para frente. Esse é o nosso objetivo e vamos tocar. […] Temos que tocar a vida para frente", completou.
Questionado se Flávio avisou o pai sobre a fuga para os EUA quando o visitou na segunda-feira (26), Valdemar disse que não. "Não, ninguém sabia, eu também não sabia".
O presidente do PL disse ainda que o ex-presidente está bem de saúde, mas não feliz. "Ninguém fica feliz de estar na situação que o Bolsonaro está e de ver os filhos na situação que estão", disse.
A visita foi autorizada pelo STF (Supremo Tribunal Federal) e durou duas horas.
Depois de perder a eleição para Lula (PT) e fugir para os Estados Unidos, Flávio divulgou uma carta, que teve quatro versões no total, em que insiste em não reconhecer o resultado das urnas.
A carta em que se autoproclamou "presidente eleito do Brasil" foi divulgada primeiramente por aliados na tarde de quarta-feira (28), após o candidato derrotado desembarcar em Miami, nos Estados Unidos, destino final do plano de fuga do Brasil.
A viagem ocorreu depois de o ministro do Supremo Alexandre de Moraes determinar a entrega dos passaportes do congressista no âmbito de uma investigação por suspeita de lavagem de dinheiro. Flávio Bolsonaro nega irregularidades.
A versão original da carta foi alterada cerca de uma hora depois, alterando o trecho em que o filho de Jair Bolsonaro se autodeclarava "verdadeiro presidente" para "líder do Brasil".