A 8ª Câmara Recursal da Ordem dos Advogados do Brasil em São Paulo (OAB-SP) anulou a decisão que suspendia o exercício da advocacia por Deolane Bezerra no estado. A medida, divulgada nesta segunda-feira (26), foi tomada após a análise de um recurso apresentado pela defesa, que apontou irregularidades no procedimento disciplinar. A decisão, porém, ainda não se refletiu no cadastro profissional da advogada.
A suspensão havia sido determinada em 24 de junho pelo Tribunal de Ética e Disciplina (TED) da entidade. Na ocasião, a medida impedia Deolane de exercer a profissão e tinha prazo inicial de 90 dias, com possibilidade de prorrogações sucessivas. Com a anulação, o procedimento deverá retornar à instância de origem para seguir a tramitação adequada, conforme informações divulgadas sobre o caso.
Apesar do resultado favorável no âmbito disciplinar, Deolane ainda aparece como suspensa no Cadastro Nacional dos Advogados (CNA). A regularização depende dos trâmites necessários para efetivar a decisão e atualizar os registros. A anulação também não representa uma decisão sobre a investigação criminal que envolve a influenciadora, nem determina sua soltura.
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Deolane permanece presa preventivamente na Penitenciária Feminina de Tupi Paulista, no interior de São Paulo. Ela é investigada por suspeitas de lavagem de dinheiro e de envolvimento com organização criminosa e tráfico de drogas, em apurações que incluem possíveis vínculos financeiros com o Primeiro Comando da Capital (PCC). As suspeitas devem ser tratadas como parte da investigação, sem confusão com a decisão administrativa da OAB-SP.
O histórico das apurações remonta a 2019, quando policiais penais encontraram bilhetes que circulavam entre detentos da Penitenciária II de Presidente Venceslau, no interior paulista. O material continha informações sobre a estrutura da facção, a atuação de lideranças e possíveis planos de ataques contra agentes públicos. Durante a análise dos documentos, os investigadores identificaram referências a uma mulher que supostamente teria levantado endereços de servidores, pista que levou à apuração de uma empresa de transporte.
Em 2021, a Operação Lado a Lado investigou a possível utilização dessa transportadora em movimentações financeiras relacionadas ao PCC. As autoridades também examinaram transações consideradas incompatíveis com a capacidade econômica declarada pela empresa. Durante a operação, um celular apreendido teria apresentado indícios de repasses financeiros a Deolane e informações sobre possíveis vínculos com um dos gestores apontados como fictícios na estrutura empresarial. A investigação criminal e o procedimento disciplinar da OAB-SP seguem em esferas distintas.