Uma travessia que hoje pode consumir cerca de 50 minutos deverá cair para menos de cinco quando entrar em operação o novo túnel entre Santos e Guarujá, no litoral de São Paulo. Com investimento estimado em R$ 6,8 bilhões, o empreendimento terá aproximadamente 1,5 quilômetro e será o primeiro túnel imerso do Brasil. A previsão atual é que a estrutura comece a funcionar em 2031.
O trecho mais chamativo terá 870 metros sob o canal do Porto de Santos. Em vez de uma escavação convencional de uma margem até a outra, a solução prevista utiliza módulos de concreto pré-moldados, que serão produzidos em uma doca seca, levados até o canal e instalados em uma trincheira preparada no fundo. A estrutura ficará protegida depois da instalação, enquanto a navegação continuará sendo realizada na superfície.
Para os usuários, a principal mudança será a criação de uma ligação permanente entre as duas cidades. O projeto prevê três faixas de circulação em cada sentido, sendo uma delas adaptável futuramente ao Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), além de espaços para pedestres e ciclistas. A concessão tem prazo de 30 anos e inclui implantação, operação e manutenção do sistema.
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A ligação rodoviária também é um dos pontos relevantes do empreendimento. No lado do Guarujá, o projeto prevê aproximadamente 2 quilômetros de novas vias para conectar o sistema viário do túnel à Rodovia Cônego Domênico Rangoni, identificada como SPA-248/055. A partir dessa malha, há conexão com o corredor da Rio-Santos e com a BR-101.
Isso significa que o túnel não desembocará diretamente na BR-101. A integração ocorrerá por meio da rede rodoviária regional, em especial pela Cônego Domênico Rangoni e seus entroncamentos com o corredor da Rio-Santos. Estudos de mobilidade e infraestrutura da região identificam essas rodovias entre os principais acessos ao Porto de Santos e ao Litoral Norte paulista.
Apesar de o empreendimento já ter passado pelo leilão, a obra física ainda não está em execução em 2026. A TSG Concessionária assinou o Termo de Transferência Inicial em julho deste ano, dando início à contagem dos prazos contratuais e à etapa de desenvolvimento dos projetos, estudos complementares e licenciamentos. O cronograma prevê canteiros, doca seca e dragagens em 2027; fabricação dos módulos em 2028; imersão e montagem em 2029; acabamentos e testes em 2030; e operação em 2031.