Com 120 anos de história, a Banda União Operária se tornou oficialmente Patrimônio Histórico e Cultural Imaterial de Piracicaba. Fundada em 1º de maio de 1906, ainda com o nome de Lyra Piracicabana, a corporação atravessou diferentes períodos da cidade, mantendo atuação em momentos cívicos, religiosos, sociais e políticos. O reconhecimento foi feito pelo Codepac (Conselho de Defesa do Patrimônio Cultural) e considera a trajetória artística, histórica, cultural e social da instituição, além de prever a preservação de sua documentação e das características que formam sua identidade.
Ao longo de sua trajetória, a banda participou de episódios marcantes da história local. Durante a Revolução Constitucionalista de 1932, acompanhou o batalhão piracicabano até a Estação da Companhia Paulista, onde os soldados embarcaram para o conflito. A União Operária também mantém relação histórica com a Festa do Divino Espírito Santo, que completou 200 anos em 2026. Nas primeiras décadas de existência, a corporação ainda ganhou espaço para apresentações com a instalação de um coreto no então jardim público, atual Praça José Bonifácio.
Além da atuação cultural, a União Operária se consolidou como espaço de formação musical. Entre os músicos que passaram pela instituição estão a flautista Jhenifer Nayara Alonso Costa, contemplada com uma bolsa de estudos na Dinamarca; o saxofonista Leonardo Ramos dos Santos, que também é professor de música e integra a banda Monalisa; Jonathan Lopes Oliveira, flautista e solista da Orquestra de Rio Claro; e Mirielle Deo Ribeiro, professora de música. A história da corporação também é marcada pela participação de músicos de diferentes correntes imigratórias, pela presença de um maestro negro em uma época em que isso ainda era pouco comum e pela inclusão de mulheres entre os integrantes.
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Segundo o maestro Jonatas Dionísio, há 13 anos à frente da Banda União Operária, o reconhecimento valoriza mais de um século de atuação da instituição. "É muito importante esse reconhecimento, sendo uma banda de 120 anos de atividade, trazendo cultura, formando músicos e dando espaço para a música instrumental. Essa valorização é muito rica, porque credibiliza todo um trabalho de parceria entre músicos, diretoria, maestros e Poder Público e o reconhecimento vai além de um título, mas posiciona a banda como um grande potencial cultural, propagador de cultura, um ícone histórico da cidade, uma instituição séria e promissora, que continuará servindo Piracicaba com a cultura por muitos anos. Agradeço muito o privilégio que tenho de ser o maestro da banda, porque, por meio da regência, preparamos os músicos para a parte da performance musical, mas também os integrando com a historicidade da banda", declarou.
Para o prefeito Helinho Zanatta, o reconhecimento preserva uma parte viva da história e da identidade cultural de Piracicaba, construída ao longo de mais de 120 anos de música, tradição e formação de novas gerações. Já o secretário de Cultura, Carlos Beltrame, destacou que o registro valoriza a trajetória da União Operária e sua contribuição para a formação cultural e musical do município.
O parecer e a pesquisa que fundamentam o registro podem ser consultados no Diário Oficial de Piracicaba, na edição de 27 de agosto de 2026, e no Portal do Codepac.