A saída da Häagen-Dazs do mercado brasileiro colocou novamente em evidência uma lista de marcas internacionais que, nos últimos anos, encerraram operações, fecharam fábricas, deixaram de vender determinados produtos ou abandonaram as lojas no país. Entre nomes conhecidos estão Walmart, Ford, Haribo, Sony, Nikon e Forever 21.
Embora o termo “sair do Brasil” seja usado para diferentes situações, os casos não são exatamente iguais. Algumas empresas encerraram completamente suas atividades brasileiras, enquanto outras apenas interromperam uma parte dos negócios e continuaram atuando por meio de outras marcas, produtos importados ou segmentos.
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A Häagen-Dazs chegou ao Brasil em 1997 e manteve lojas próprias durante parte de sua trajetória. Em 2018, a General Mills, responsável pela marca, fechou as unidades próprias que ainda mantinha no país, mas os sorvetes continuaram sendo vendidos por outros canais.
Em agosto de 2026, a General Mills anunciou o fim da distribuição da Häagen-Dazs no Brasil. A medida está relacionada a uma reformulação do portfólio da companhia e encerra a comercialização regular da marca no mercado brasileiro.
A fabricante alemã Haribo ficou conhecida no Brasil pelas balas de gelatina e outros doces, que inicialmente chegavam ao país por meio de importações. Em 2016, a empresa decidiu produzir localmente e inaugurou uma fábrica em Bauru, no interior de São Paulo, a primeira unidade da companhia fora da Europa.
A experiência industrial brasileira chegou ao fim em 2026. A empresa anunciou em abril o encerramento da fábrica, que continuou funcionando até julho. A decisão foi relacionada ao ambiente de negócios, à competitividade e a fatores externos que afetaram a operação.
A Ford começou sua história no Brasil em 1919 e construiu uma extensa estrutura industrial durante décadas. A empresa chegou a produzir veículos em unidades localizadas na Bahia, em São Paulo e no Ceará.
Em 2021, a montadora encerrou a fabricação de veículos no país e fechou as fábricas de Camaçari, Taubaté e da Troller, em Horizonte. A marca, contudo, continuou atendendo consumidores brasileiros com veículos produzidos em outros mercados, mantendo sua operação comercial no país.
A Mercedes-Benz iniciou a produção industrial brasileira em 1956, com caminhões e ônibus. Mais tarde, a companhia também passou a fabricar automóveis, incluindo modelos como Classe C e GLA na fábrica de Iracemápolis, no interior paulista.
Em 2020, a montadora encerrou a produção de automóveis na unidade. A decisão ocorreu em um período de queda nas vendas de veículos premium e reorganização da estrutura internacional da companhia. A Mercedes-Benz continuou no Brasil com a produção de caminhões e chassis de ônibus e com a venda de automóveis importados.
A rede americana de moda Forever 21 chegou ao Brasil em 2014 e rapidamente ampliou sua presença. A marca chegou a manter 15 lojas no país e passou a disputar espaço com grandes redes nacionais e internacionais.
A operação de lojas foi encerrada em 2022, após um período de liquidação dos estoques. A saída ocorreu em meio a dificuldades financeiras da companhia, custos elevados, baixa escala e forte concorrência de empresas asiáticas no varejo de moda.
A francesa Fnac desembarcou no Brasil em 2000 com um modelo de lojas que reunia livros, música, filmes, eletrônicos e outros produtos culturais. A rede chegou a ter 12 unidades no país.
Em 2017, a Livraria Cultura assumiu a operação brasileira da Fnac. No ano seguinte, as lojas foram fechadas, com a última unidade, em Goiânia, encerrando as atividades em outubro de 2018. A operação enfrentava dificuldades para alcançar escala e lidar com um mercado cada vez mais competitivo.
Nem todos os casos significaram uma saída completa do mercado brasileiro. Algumas empresas deixaram de usar determinadas marcas, fecharam fábricas ou interromperam a venda de produtos específicos, mas continuaram presentes em outras áreas.
Walmart deixa de usar a marca no país
O Walmart chegou ao Brasil em 1995 e construiu uma rede de lojas em diferentes regiões. A operação brasileira passou por uma mudança de controle em 2018, quando o fundo Advent International comprou 80% do negócio.
A partir daí, a estrutura foi reorganizada e a marca Walmart começou a ser substituída por outras bandeiras. Em 2019, a operação passou a utilizar o nome Grupo BIG. Assim, o Walmart deixou de existir como marca das lojas brasileiras, mas o negócio continuou funcionando sob uma nova identidade.
Sony encerra produção de eletrônicos
A Sony está presente no Brasil desde 1972 e construiu uma trajetória ligada principalmente a televisores, câmeras e equipamentos de áudio. A companhia também desenvolveu negócios em outras áreas, que permaneceram no país mesmo depois da mudança na operação de eletrônicos.
Em 2020, a Sony anunciou o fechamento da fábrica de Manaus e o encerramento da produção de TVs, câmeras e equipamentos de áudio no Brasil. Em 2021, a empresa também deixou de vender diretamente esses produtos no mercado nacional. A companhia, entretanto, manteve negócios como PlayStation, soluções profissionais, música e entretenimento.
Nikon encerra operação brasileira
A Nikon, fabricante japonesa conhecida por suas câmeras e equipamentos fotográficos, anunciou em 2017 que deixaria de comercializar diretamente no Brasil câmeras, lentes e acessórios.
No ano seguinte, a companhia confirmou o encerramento de suas atividades no país. A decisão ocorreu dentro de uma reestruturação internacional que envolveu áreas como pesquisa e desenvolvimento, vendas e fabricação. Com isso, a Nikon deixou de manter uma operação própria no mercado brasileiro.
Roche fecha fábrica no Rio de Janeiro
A Roche está presente no Brasil desde 1931 e chegou a produzir medicamentos em sua fábrica de Jacarepaguá, no Rio de Janeiro. A unidade fazia parte da estrutura industrial da companhia e fabricava medicamentos comercializados no mercado nacional.
Em 2019, a empresa anunciou o fechamento da fábrica, citando a redução dos volumes de produção e mudanças em sua estratégia global. O encerramento da atividade industrial foi concluído em 2024. A Roche, porém, continuou atuando comercialmente no Brasil e mantendo o fornecimento de medicamentos ao mercado nacional.
Topshop encerra lojas em São Paulo
A britânica Topshop chegou ao Brasil em 2012 com uma loja no shopping JK Iguatemi, em São Paulo. A marca de moda chegou a manter quatro endereços no Estado durante sua passagem pelo país.
Em 2016, a Topshop fechou sua última unidade brasileira, também no JK Iguatemi, encerrando sua operação física. A empresa não apresentou uma justificativa detalhada para a saída, embora a marca enfrentasse dificuldades relacionadas ao desempenho das lojas e aos custos dos pontos comerciais.
Os exemplos mostram que o desaparecimento de uma marca das lojas brasileiras não necessariamente representa o fim de todos os negócios de uma empresa no país. Há casos de encerramento completo, como o da Nikon, e situações em que apenas uma fábrica, uma rede de lojas ou determinada linha de produtos deixou de existir.
Também houve mudanças de controle e de identidade, como ocorreu com o Walmart, além de empresas que passaram a atender o consumidor brasileiro com produtos importados, como Ford e Mercedes-Benz. No caso da Häagen-Dazs, a mudança mais recente envolve especificamente o fim da distribuição da marca no país.