O Grupo Casas Bahia entrou com pedido de recuperação judicial na Justiça de São Paulo para renegociar um passivo de R$ 17,3 bilhões. O processo reúne cerca de 28 mil credores, entre bancos, fornecedores, trabalhadores e empresas envolvidas em ações judiciais.
Caso o pedido seja aceito pela Justiça, os valores devidos poderão ser renegociados conforme um plano de recuperação. Especialistas ouvidos sobre o processo apontam que determinados grupos de credores podem enfrentar descontos de até 95% e prazos maiores para receber os valores.
Entre os mais expostos estão os chamados credores quirografários, que possuem dívidas sem uma garantia específica. Esse grupo concentra cerca de R$ 16,4 bilhões do passivo apresentado pela companhia.
Saiba mais:
Fornecedores estão entre os credores sujeitos à renegociação. Segundo especialistas, empresas que possuem créditos sem garantia podem ter descontos e prazos de pagamento maiores.
Fabricantes como Samsung, Whirlpool, Electrolux e LG estão entre as empresas que podem participar das negociações. Apesar de serem credoras de valores anteriores, elas também são fornecedoras necessárias para a continuidade das operações das lojas.
Por esse motivo, o plano de recuperação pode estabelecer condições específicas para chamados parceiros estratégicos. Empresas que continuarem fornecendo produtos ou serviços ao grupo poderão ter condições diferenciadas para receber os valores devidos.
Fundos e investidores, por outro lado, não possuem a mesma relação operacional com a companhia. A posição desses credores nas negociações tende a considerar principalmente o valor dos créditos e o poder de voto no processo.
Instituições financeiras também aparecem entre os principais credores do Grupo Casas Bahia. Banco Digio, Banco do Brasil e Bradesco estão entre os nomes relacionados às dívidas da empresa.
Parte desses débitos possui garantias específicas e, por isso, pode ter tratamento diferente dentro da recuperação judicial. Bancos também podem ter maior poder de negociação em razão da relação com as linhas de crédito utilizadas pela companhia.
Os créditos trabalhistas possuem regras específicas na recuperação judicial e devem seguir prazos previstos pela legislação. Já as dívidas tributárias são tratadas por mecanismos próprios de parcelamento e negociação e não são incluídas no plano da mesma forma que os débitos com fornecedores e investidores.
Do passivo total de R$ 17,3 bilhões apresentado pela Casas Bahia, R$ 754 milhões correspondem a dívidas trabalhistas e R$ 154 milhões são relacionados a microempresas e empresas de pequeno porte.
O pedido de recuperação judicial ocorre após a companhia registrar prejuízo líquido de R$ 10,1 bilhões. O resultado foi influenciado por ajustes fiscais, incluindo uma baixa contábil de R$ 5,7 bilhões referente a impostos diferidos.
A empresa também registrou R$ 1,8 bilhão em despesas relacionadas às vendas, valor que representou aumento de 17% no período.
A recuperação judicial é utilizada por empresas para renegociar dívidas e buscar condições para manter suas atividades. A partir da análise do pedido, a Justiça decidirá sobre o prosseguimento do processo e, posteriormente, os credores participarão das etapas de negociação do plano.