24 de agosto de 2026
ATENÇÃO

Pediatras alertam para riscos de canetas emagrecedoras em jovens

Por Vitória Duarte | JP1 |
| Tempo de leitura: 3 min
Reprodução
Sociedade Brasileira de Pediatria alerta para os riscos do uso inadequado de medicamentos conhecidos como "canetas emagrecedoras" por crianças e adolescentes.

A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) publicou um alerta sobre o uso sem indicação e sem acompanhamento médico de medicamentos da classe dos agonistas do receptor GLP-1, conhecidos popularmente como “canetas emagrecedoras”, por crianças e adolescentes.

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Segundo a entidade, embora esses medicamentos possam ter indicação para o tratamento de doenças como obesidade e diabetes tipo 2 em situações específicas, a utilização inadequada pode aumentar a frequência e a gravidade de eventos adversos.

Entre os possíveis riscos estão déficit de crescimento e desenvolvimento, desidratação, alterações nos níveis de eletrólitos, perda de massa muscular, pancreatite aguda e problemas na vesícula biliar.

A SBP também chama atenção para o uso com finalidade exclusivamente estética. De acordo com a entidade, a busca pela alteração da aparência corporal pode contribuir para o desenvolvimento de transtornos alimentares, como anorexia e bulimia, além de ansiedade e quadros depressivos relacionados à imagem corporal.

Tratamento exige avaliação médica

A entidade destaca que a prescrição dos medicamentos não deve ocorrer automaticamente mesmo quando há diagnóstico de obesidade ou diabetes tipo 2. Antes de indicar o tratamento, o médico deve avaliar fatores como a gravidade da doença, a existência de outras condições de saúde, tratamentos anteriores, possíveis riscos, capacidade de acompanhamento e expectativas da criança, do adolescente e da família.

A SBP recomenda ainda que a expressão “canetas emagrecedoras” seja substituída por “medicamentos para tratar a obesidade”. Para a entidade, a mudança ajuda a reforçar que a obesidade é uma doença crônica e que o objetivo do tratamento é melhorar a saúde e a qualidade de vida, e não apenas provocar perda de peso.

O uso de medicamentos com finalidade estética por adolescentes que apresentam peso adequado também é desaconselhado pela sociedade.

Efeitos colaterais

Os eventos adversos mais comuns associados a esses medicamentos são gastrointestinais e costumam aparecer principalmente durante o período de aumento gradual das doses.

Entre os sintomas estão:

A perda de massa muscular também é apontada como um possível risco. Em situações de intolerância ao medicamento, a recomendação é que a conduta seja reavaliada por um profissional de saúde.

Entre os eventos considerados potencialmente graves estão pancreatite, hipoglicemia e colelitíase, condição caracterizada pela formação de cálculos na vesícula biliar.

Atenção aos produtos sem procedência

A SBP também contraindica o uso de produtos sem procedência ou sem registro sanitário. A recomendação inclui evitar preparações clandestinas, manipuladas ou importadas sem registro da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

A entidade ressalta que há evidências científicas sobre a eficácia e a segurança desses medicamentos em adolescentes quando utilizados dentro dos critérios estudados e associados a mudanças no estilo de vida.

O principal alerta, segundo a sociedade, está na banalização do uso, especialmente diante da divulgação de conteúdos nas redes sociais que podem estimular o consumo sem avaliação profissional.

Quando são contraindicados

De acordo com a SBP, esses medicamentos são contraindicados para pessoas com hipersensibilidade ao princípio ativo ou a componentes da formulação. Também não são indicados para gestantes e lactantes.

Outra contraindicação envolve pacientes com histórico pessoal ou familiar de carcinoma medular da tireoide ou com síndrome de neoplasia endócrina múltipla tipo 2.

Já pessoas com histórico de pancreatite devem passar por avaliação médica individualizada, pois o antecedente é considerado uma contraindicação relativa.

O alerta reforça que o uso de medicamentos para tratar a obesidade em crianças e adolescentes deve fazer parte de uma avaliação individualizada, com acompanhamento médico e atenção aos possíveis riscos e benefícios do tratamento.