21 de agosto de 2026
HABITAÇÃO

O que os prédios de Piracicaba revelam sobre quem mora neles

Por Bia Xavier - Jornal de Piracicaba |
| Tempo de leitura: 2 min
Reprodução/Prefeitura de Piracicaba
Levantamento analisou 464 edifícios de Piracicaba e mostra como os hábitos e as demandas dos moradores aparecem na estrutura dos condomínios.

Os prédios de Piracicaba revelam um morador que ainda valoriza a estrutura tradicional, especialmente a garagem, mas que começa a conviver com novas demandas dentro dos condomínios. É o que aponta o Estudo Local de Edificações Verticais e Apartamentos (Eleva), realizado pela Só Apê, que analisou 464 edifícios em 52 bairros da cidade.

Segundo o levantamento, 95,7% dos prédios são exclusivamente residenciais e 97,8% possuem vagas de garagem. Por outro lado, apenas 5,8% contam com pontos de recarga para veículos elétricos. Entre os condomínios pesquisados, 96,3% permitem animais de estimação, mas somente 3,9% possuem espaço específico para pets.

O estudo foi divulgado nesta sexta-feira (21), Dia Nacional da Habitação, e teve como primeira etapa o mapeamento de 514 edifícios. Destes, 464 foram analisados detalhadamente.

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Garagem e perfil residencial

A presença de vagas de garagem aparece em quase todos os edifícios pesquisados. O dado contrasta com a proximidade do transporte público: 95,7% dos prédios estão a menos de 500 metros de uma opção de transporte coletivo.

Para Marcelo Prata, CEO da Só Apê, empresa responsável pelo levantamento, os números indicam que a verticalização da cidade está mais relacionada à demanda por moradia do que à concentração de serviços e comércio.

Além dos edifícios residenciais, 3% possuem uso comercial exclusivo e 1,3% apresentam uso misto. A portaria presencial continua predominante, presente em 61% dos edifícios. As soluções virtuais e automatizadas, porém, já aparecem em quase 40% dos imóveis pesquisados. A adoção desses sistemas está relacionada principalmente à busca por redução de custos e modernização do controle de acesso.

Novas demandas ainda têm pouca estrutura

Os dados também mostram diferenças entre os hábitos dos moradores e a estrutura disponível nos condomínios. 96,3% dos edifícios permitem pets, mas apenas 3,9% oferecem um espaço dedicado aos animais.

A estrutura para quem trabalha de casa também é limitada: somente 1,3% dos condomínios possuem espaço de office ou coworking. Na prática, a maior parte dos moradores que trabalha remotamente precisa utilizar ambientes dentro do próprio apartamento.

Outro ponto é a infraestrutura para veículos elétricos. Apenas 5,8% dos edifícios analisados possuem pontos de recarga, apesar de 97,8% oferecerem vagas de garagem. O levantamento prevê novas etapas, com análise de áreas comuns, gestão condominial, tecnologias, sustentabilidade e qualidade de vida. A proposta é ampliar o retrato da moradia vertical em Piracicaba e identificar como os condomínios estão acompanhando as mudanças nos hábitos dos moradores.

O levantamento mostra, assim, um cenário em transição: enquanto características tradicionais, como garagem e portaria presencial, ainda predominam, novas demandas começam a chegar aos condomínios. Pets, trabalho remoto e veículos elétricos já fazem parte da rotina dos moradores, mas ainda encontram pouca estrutura nas áreas comuns.