Câmeras equipadas com inteligência artificial já são usadas para fiscalizar o trânsito em rodovias de São Paulo, Minas Gerais e Espírito Santo. Os equipamentos conseguem identificar infrações enquanto os veículos seguem viagem, incluindo situações como motoristas sem cinto ou usando o celular ao volante.
Mas a IA não aplica a multa sozinha. Quando o sistema detecta uma possível irregularidade, um alerta é enviado ao Centro de Controle Operacional (CCO), onde um policial rodoviário analisa as imagens, confirma a ocorrência e realiza os procedimentos necessários para a autuação.
Na Rodovia Governador Dr. Adhemar Pereira de Barros (SP-340), a tecnologia já apresentou impacto nos números. Entre janeiro e maio de 2026, as autuações por falta de cinto caíram 12,6%, passando de 5.540 para 4.841 registros em relação ao mesmo período de 2025. As multas por uso de celular também recuaram 9,3%, de 1.744 para 1.581.
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Além da falta do cinto e do uso do celular, os sistemas podem ser configurados para reconhecer outras situações de risco. Entre elas estão veículos no acostamento ou na contramão, caminhões em faixas restritas, pedestres e animais na pista, veículos parados, congestionamentos e focos de fumaça ou incêndio.
No Rodoanel Mário Covas, por exemplo, as câmeras passaram a ser utilizadas nos trechos Sul e Leste em julho. Durante os testes, os equipamentos identificaram uma média de 168 infrações por dia. Já na BR-101, no Espírito Santo, mais de 17 mil irregularidades foram detectadas somente em abril, sendo 94% relacionadas à falta de cinto.
Na Rodovia Raposo Tavares, câmeras com inteligência artificial também monitoram a pista e contam com leitura automática de placas. Durante o período de ajustes, os equipamentos registraram mais de 300 ocorrências por dia, principalmente relacionadas à falta de cinto e ao uso do celular.
Apesar do monitoramento contínuo, as imagens não significam uma multa automática. Os registros passam por análise dos responsáveis pela fiscalização antes da autuação. As concessionárias também informam que os dados seguem regras de segurança e privacidade previstas na LGPD, com prazos de armazenamento que variam conforme a rodovia e o tipo de ocorrência.
A tendência é que a tecnologia seja ampliada para outras infrações. Entre os próximos comportamentos que podem entrar no monitoramento estão motociclistas sem capacete, motos com mais de dois ocupantes e veículos trafegando na contramão. Para o motorista, a principal mudança é que uma infração pode ser identificada mesmo sem a presença visível de um agente na estrada.