Os carros elétricos começam a enfrentar resistência entre os consumidores brasileiros. Um levantamento internacional revelou que cresce o número de motoristas que decidiram adiar — ou abandonar de vez — os planos de trocar os veículos a combustão por modelos movidos a bateria.
A pesquisa, realizada pela EY com 21 mil pessoas em 32 países, incluindo mil brasileiros, mostra que 39% dos consumidores no Brasil pretendem reconsiderar ou postergar a compra de um elétrico. Outros 11% afirmam já ter desistido da ideia. Apenas 46% mantêm os planos sem alteração.
O estudo indica que o principal motivo para o recuo não está diretamente ligado ao valor do carro. A maior preocupação dos consumidores é a dificuldade para carregar o veículo no dia a dia.
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Entre os entrevistados, 36% afirmam não ter estrutura adequada em casa ou no trabalho para instalar carregadores. A situação afeta especialmente moradores de condomínios antigos, que muitas vezes possuem sistemas elétricos incompatíveis com esse tipo de adaptação.
A ausência de estações públicas de recarga também aparece entre os principais obstáculos e foi citada por 33% dos participantes. Já os custos relacionados à substituição da bateria empataram com o preço inicial do veículo, ambos mencionados por 28% dos entrevistados.
Também surgem dúvidas sobre a qualidade dos carregadores públicos, preocupação apontada por 27% dos consumidores. Outros entrevistados demonstraram receio em relação aos custos de manutenção, autonomia dos veículos e despesas com recarga.
Apesar da desconfiança crescente, o interesse pelos elétricos ainda encontra estímulos importantes. Segundo a pesquisa, o alto preço dos combustíveis tradicionais segue como um dos principais fatores que impulsionam a migração para veículos eletrificados, ao lado das preocupações ambientais.
Aspectos como maior autonomia, redução do custo total ao longo do tempo e desempenho superior em comparação aos modelos a combustão também aparecem entre os motivos que mantêm parte dos consumidores interessados.
O levantamento ainda mostra uma desaceleração na intenção de compra de carros em geral no Brasil. Atualmente, 68% dos consumidores afirmam que pretendem adquirir um veículo, número quatro pontos percentuais menor que o registrado no ano passado. Entre os que desejam comprar, a maioria planeja fazer isso nos próximos 12 meses.