Um surto de hantavírus registrado a bordo de um navio de cruzeiro internacional chamou a atenção de autoridades de saúde após provocar a morte de 7 passageiros durante uma expedição pelo Atlântico Sul. O episódio envolveu a cepa Andes, considerada a única variante conhecida do vírus com capacidade de transmissão entre humanos.
A embarcação, operada pela empresa Oceanwide Expeditions, partiu de Ushuaia, na Argentina, e percorreu regiões de clima extremo e pouca ventilação natural, cenário que favoreceu a circulação do vírus entre os passageiros.
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Especialistas apontam que as condições do cruzeiro contribuíram diretamente para o avanço da doença. O frio intenso manteve os passageiros em áreas internas por longos períodos, enquanto o uso constante de ar-condicionado e a baixa renovação de ar aumentaram a exposição coletiva.
A avaliação médica indica que um dos passageiros teria embarcado ainda no período de incubação da doença, quando a pessoa já está infectada, mas ainda não apresenta sintomas. A convivência prolongada em cabines e espaços fechados facilitou a disseminação da cepa Andes, conhecida por permitir transmissão respiratória entre pessoas em situações muito específicas.
Apesar disso, infectologistas destacam que o hantavírus não apresenta o mesmo potencial de contágio observado em doenças como a COVID-19. Para que a transmissão aconteça, normalmente é necessário contato próximo e contínuo em ambientes pouco ventilados.
O hantavírus é considerado raro, mas preocupa pela gravidade dos casos. A doença pode evoluir rapidamente para quadros respiratórios severos e possui taxa de letalidade estimada entre 25% e 50%. Atualmente, existem 38 espécies conhecidas de hantavírus no mundo. Na maioria delas, a infecção ocorre após contato com fezes, urina ou saliva de roedores silvestres contaminados. A cepa Andes, responsável pelo surto no cruzeiro, é a principal exceção por permitir transmissão direta entre humanos.
Segundo especialistas, o vírus identificado no navio não apresentou mutações que aumentassem sua transmissibilidade. O entendimento atual é de que o episódio ocorreu em circunstâncias específicas de confinamento prolongado e não representa risco elevado para a população em geral.