Declaração sobre “escravidão” repercute nas redes
Uma fala da desembargadora Eva do Amaral, do Tribunal de Justiça do Estado do Pará, provocou forte repercussão nas redes sociais após a magistrada comparar a situação do Judiciário a um regime de “escravidão”.
A declaração ocorreu durante sessão da 3ª Turma de Direito Penal e viralizou rapidamente. Na ocasião, ela criticou a redução de benefícios e afirmou que magistrados estariam enfrentando dificuldades financeiras. “Daqui a pouco a gente vai estar no rol daqueles funcionários que trabalham em regime de escravidão”, disse.
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Apesar das críticas, dados mostram que a desembargadora conta com uma série de benefícios custeados pelo próprio tribunal. Entre eles está o uso de um veículo híbrido avaliado em cerca de R$ 175 mil, com motorista particular.
O modelo utilizado é um BYD King GS 2025/2026, que integra a frota oficial do TJPA. De acordo com o contrato, os carros disponibilizados devem atender a requisitos como conforto interno, com bancos de couro, ar-condicionado e isolamento acústico.
A Corte mantém uma estrutura com 40 veículos e 40 motoristas exclusivos para atender desembargadores, com custo mensal de aproximadamente R$ 544 mil. O contrato total, com duração de cinco anos, soma cerca de R$ 32,6 milhões.
No mês de março, a remuneração bruta da magistrada chegou a R$ 117,8 mil. Levantamentos baseados em ferramentas de comparação de renda indicam que esse valor supera os ganhos de mais de 99% da população brasileira e também dos moradores do Pará.
Na prática, a remuneração mensal representa múltiplos significativos em relação a outras profissões. Em comparação, o valor equivale a várias vezes o salário médio de profissionais da saúde e da educação no estado.
A repercussão do caso reacendeu discussões sobre a estrutura de benefícios no Judiciário e o impacto desses custos nos cofres públicos. Especialistas apontam que o tema exige transparência e análise constante, especialmente em um cenário de revisão de despesas e ajustes fiscais.
Por outro lado, representantes do setor destacam que a manutenção de frota e estrutura de apoio está relacionada à necessidade de deslocamento para atividades oficiais, como sessões e audiências.
A fala da desembargadora dividiu opiniões e ampliou o debate público sobre remuneração e benefícios no serviço público. Nas redes sociais, usuários questionaram a comparação feita pela magistrada, enquanto outros destacaram a necessidade de discutir as condições de trabalho no Judiciário.