21 de abril de 2026
TRABALHO ESCRAVO?

Juíza critica cortes, mas tem carro de 175 mil pago pelo tribunal

Por Da Redação / JP1 |
| Tempo de leitura: 2 min
Divulgação / TJPA
Apesar das críticas, dados mostram que a desembargadora conta com uma série de benefícios custeados pelo próprio tribunal

Declaração sobre “escravidão” repercute nas redes

Uma fala da desembargadora Eva do Amaral, do Tribunal de Justiça do Estado do Pará, provocou forte repercussão nas redes sociais após a magistrada comparar a situação do Judiciário a um regime de “escravidão”.

A declaração ocorreu durante sessão da 3ª Turma de Direito Penal e viralizou rapidamente. Na ocasião, ela criticou a redução de benefícios e afirmou que magistrados estariam enfrentando dificuldades financeiras. “Daqui a pouco a gente vai estar no rol daqueles funcionários que trabalham em regime de escravidão”, disse.

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Benefícios e estrutura pagos pelo tribunal

Apesar das críticas, dados mostram que a desembargadora conta com uma série de benefícios custeados pelo próprio tribunal. Entre eles está o uso de um veículo híbrido avaliado em cerca de R$ 175 mil, com motorista particular.

O modelo utilizado é um BYD King GS 2025/2026, que integra a frota oficial do TJPA. De acordo com o contrato, os carros disponibilizados devem atender a requisitos como conforto interno, com bancos de couro, ar-condicionado e isolamento acústico.

A Corte mantém uma estrutura com 40 veículos e 40 motoristas exclusivos para atender desembargadores, com custo mensal de aproximadamente R$ 544 mil. O contrato total, com duração de cinco anos, soma cerca de R$ 32,6 milhões.

Salário e comparação com a renda da população

No mês de março, a remuneração bruta da magistrada chegou a R$ 117,8 mil. Levantamentos baseados em ferramentas de comparação de renda indicam que esse valor supera os ganhos de mais de 99% da população brasileira e também dos moradores do Pará.

Na prática, a remuneração mensal representa múltiplos significativos em relação a outras profissões. Em comparação, o valor equivale a várias vezes o salário médio de profissionais da saúde e da educação no estado.

Debate sobre custos e privilégios

A repercussão do caso reacendeu discussões sobre a estrutura de benefícios no Judiciário e o impacto desses custos nos cofres públicos. Especialistas apontam que o tema exige transparência e análise constante, especialmente em um cenário de revisão de despesas e ajustes fiscais.

Por outro lado, representantes do setor destacam que a manutenção de frota e estrutura de apoio está relacionada à necessidade de deslocamento para atividades oficiais, como sessões e audiências.

Reações e questionamentos

A fala da desembargadora dividiu opiniões e ampliou o debate público sobre remuneração e benefícios no serviço público. Nas redes sociais, usuários questionaram a comparação feita pela magistrada, enquanto outros destacaram a necessidade de discutir as condições de trabalho no Judiciário.