O Museu da Imagem e do Som de Piracicaba (MISP) recebe, nesta quinta-feira (16), uma programação que convida o público a ir além da simples exibição cinematográfica. Às 19h30, o espaço exibe gratuitamente o curta-metragem "Dia de Preto", dirigido pelo cineasta piracicabano Beto Oliveira, dentro do projeto Cinemisp. A sessão acontece no Armazém 8A, no Engenho Central (Avenida Maurice Allain, 454), e propõe uma imersão em uma narrativa que entrelaça ficção, memória e crítica social, reforçando o cinema como instrumento de reflexão e transformação.
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Lançado em 2023, o filme apresenta uma trama ambientada em um futuro distópico, acompanhando Carolina, uma mulher negra de 65 anos que se prepara para o chamado “Dia de Preto” — uma data simbólica em que pessoas negras podem ocupar as ruas e celebrar sua identidade. Entre lembranças e expectativas, a personagem revisita episódios marcantes de sua vida, incluindo a perda do filho, vítima de violência, em uma narrativa que mistura dor, resistência e memória.
Com duração de 15 minutos, a obra se destaca por provocar reflexões profundas sobre desigualdade racial e os limites entre ficção e realidade, conectando o espectador a questões urgentes da sociedade brasileira.
Após a exibição, o público poderá participar de uma roda de conversa que amplia o impacto da obra. O debate abordará temas como questões raciais, desigualdade social e o cinema negro como movimento estético e político, valorizando o protagonismo de pessoas negras tanto nas telas quanto nos bastidores.
A mediação será feita por representantes do Conselho da Comunidade Negra de Piracicaba (Conepir), promovendo um espaço de escuta ativa e troca de experiências. Para o coordenador do MISP, Rober Caprecci, iniciativas como essa reforçam o papel do cinema como agente de mudança. Segundo ele, o museu se consolida não apenas como espaço de exibição, mas como ambiente de diálogo, reflexão e construção coletiva.