A Petrobras deve anunciar nesta semana a atualização mensal do preço do querosene de aviação (QAV), conforme previsto em contrato. A definição dos valores para abril ocorre em meio a projeções de aumento.
De acordo com fontes ligadas ao setor, o combustível pode registrar elevação entre 70% e 80%, com base nos critérios utilizados pela estatal para formação de preços. O possível reajuste se soma ao aumento aplicado entre fevereiro e março, que ficou próximo de 10%.
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Entre os fatores considerados está a valorização do petróleo do tipo Brent, negociado na Intercontinental Exchange. Desde o fim de fevereiro, quando teve início o conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, o indicador acumula alta próxima de 50%.
Outro parâmetro acompanhado é o heating oil, derivado utilizado em sistemas de aquecimento, que também apresentou variação e acumula aumento de cerca de 70% no mesmo período. Esses movimentos ocorreram após o último reajuste do QAV, anunciado em 27 de fevereiro, e podem influenciar os valores de abril.
Atualmente, o litro do combustível é comercializado a R$ 3,58, abaixo do valor registrado no fim de 2022, quando chegou a R$ 5,08 durante a escalada de preços associada ao conflito entre Rússia e Ucrânia.
Diante da possibilidade de novo aumento, empresas aéreas e o Ministério de Portos e Aeroportos acompanham o cenário e avaliam impactos sobre o setor. O órgão encaminhou um ofício à Petrobras para tratar dos efeitos da mudança nos preços, com cópia ao Ministério de Minas e Energia, à Casa Civil e ao Ministério da Fazenda.
No documento, também foram apresentadas propostas com o objetivo de reduzir os efeitos do aumento para companhias aéreas e passageiros. As medidas ainda aguardam análise.
O querosene de aviação representa, em média, 30% dos custos das empresas do setor no país, podendo atingir metade das despesas em períodos de variação de preços. Entre os possíveis reflexos estão mudanças no valor das passagens e ajustes na oferta de voos.