Ao menos 22 pessoas morreram na zona da mata de Minas Gerais em razão das chuvas que atingem a região desde a noite de segunda-feira (23). Juiz de Fora, uma das cidades mais afetadas, registra até o momento 18 óbitos confirmados. Outras sete mortes aconteceram na cidade de Ubá, a 111 quilômetros.
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Os estragos em Juiz de Fora levaram a prefeita Margarida Salomão (PT) a decretar estado de calamidade pública na cidade mineira ainda durante a madrugada desta terça. Quatro mortes ocorreram no bairro JK, quatro no bairro Santa Rita, dois na Vila Ideal, uma no bairro Lourdes, uma na Vila Alpina, uma no bairro São Benedito e uma na Vila Olavo Costa.
Outras 440 pessoas estão desabrigadas. Elas receberam acolhimento e acomodação provisória por parte da prefeitura.
O governador Romeu Zema (Novo) decretou luto oficial de três dias. Ele, que cumpre agenda no noroeste do estado, afirmou que irá se deslocar para o município ainda nesta terça. "Minas está presente e fará tudo o que estiver ao seu alcance para amenizar esse sofrimento", afirmou.
Segundo Margarida, o temporal provocou ao menos 20 soterramentos de imóveis no município, principalmente na região sudeste. A Defesa Civil atendeu 251 ocorrências relacionadas à chuva. Os desabrigados estão sendo levados a três escolas do município.
A corporação local dos bombeiros já conta com um adicional de 150 agentes de outras localidades, segundo a prefeita.
Bombeiros, equipes da Defesa Civil e voluntários de empresas particulares atuam no resgate e na procura de pessoas desaparecidas.
No bairro Parque Jardim Burnier, uma encosta deslizou e 12 imóveis foram soterrados. No local, foram registradas ao menos quatro mortes e 17 pessoas desaparecidas. Na manhã desta terça, uma mulher foi localizada com vida na rua do Carmelo, no bairro Paineiras.
Nas redes sociais, vídeos mostram moradores tentando socorrer vizinhos ilhados, casas desmoronando, ruas alagadas e cenas de desespero. Há também pedidos de ajuda e relatos de pessoas presas em destroços de desabamentos.
"Uma casa desmoronou e tem uma pessoa presa", diz texto de um pedido de socorro feito pelo Instagram. O morador do Grajaú disse que não conseguia ser atendido pelo Corpo de Bombeiros.
Juiz de Fora enfrenta o fevereiro mais chuvoso de sua história, com 589 mm acumulados até o momento, o dobro do esperado para o mês. As consequências são, além dos soterramentos, quedas de árvores e bairros ilhados pelas águas.
"É uma situação extrema, que permite medidas extremas", disse a prefeita.
As aulas no município foram suspensas, assim como foi determinado trabalho remoto para os servidores que atuam na sede da prefeitura, no centro.
O decreto de calamidade agiliza o recebimento de recursos estaduais e federais. Salomão afirmou que será preciso também uma mobilização de voluntários para ajudar as famílias afetadas.
Segundo ela, a cidade precisa de um período de recuperação. "Estamos nos desdobrando para socorrer as pessoas e salvar vidas", disse.
A intensidade da chuva provocou o transbordamento do rio Paraibuna e a interdição da ponte Vermelha e do túnel Mergulhão. Agentes de trânsito atuam na manhã desta terça-feira para orientar condutores sobre após as intercorrências.
Deslizamentos de terra impediram o trânsito de veículos na serra dos Bandeirantes e na Garganta Dilermando. Na avenida Brasil o tráfego foi prejudicado pela queda de árvores. Ao menos dez pontos da cidade sofreram com alagamentos. Alguns dos pontos de inundação haviam se desfeito, informou a prefeitura na manhã desta terça.
O decreto de calamidade entra em vigor nesta terça, com validade de 180 dias.
Em Ubá, a 111 km de Juiz de Fora, o temporal também causou estrago e deixou ao menos sete mortos. Os bombeiros realizam buscas por desaparecidos.
A corporação afirma que recebeu mais de 70 chamados que incluem, além de mortos e desaparecidos, ocorrências envolvendo deslizamentos, quedas de árvore, pessoas ilhadas e desmoronamentos.
Serviços públicos foram afetados e a prefeitura lançou uma campanha de arrecadação de suprimentos e escreveu nas redes sociais que "famílias perderam tudo".