14 de janeiro de 2026
NASCEU EM PIRACICABA

Samba Pira celebra o legado da “madrinha do samba”; SAIBA MAIS

Por Bia Xavier - JP |
| Tempo de leitura: 3 min
Reprodução
Madrinha Eunice, piracicabana do Pau Queimado que se tornou símbolo do samba paulistano, segue inspirando gerações com sua força, ancestralidade e pioneirismo.

Piracicaba, berço de grandes embaixadores do samba paulistano, se prepara para celebrar o Dia Nacional do Samba com a primeira edição do projeto Samba Pira: Sons e Saberes do Nosso Chão – 2025. Idealizado pelo sambista, artesão e produtor cultural Juca Ferreira, o evento homenageia a piracicabana Madrinha Eunice, figura central na história do samba paulista.

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Piracicaba, conhecida por sua culinária típica – da pamonha ao peixe assado – e por manifestações tradicionais como o samba de lenço, o cururu e a música caipira, também carrega forte vínculo com o universo do samba. De Tia Ciata, no Rio de Janeiro, à Madrinha Eunice, em São Paulo, a cidade reafirma seu papel na formação cultural desse gênero que vai muito além da música: é história, identidade e ancestralidade.

Ao Jornal de Piracicaba, Juca destacou a importância do projeto e da homenagem. “Resumidamente falando, embora eu tenha mais de 20 anos falando e fazendo samba na cidade e região, este projeto neste formato é inédito, será a primeira edição. E na estreia estamos homenageando a grande matriarca do samba paulista, Madrinha Eunice, piracicabana nascida no bairro do Pau Queimado”, afirmou.

Programação

A ação conta com apoio institucional do SESC Piracicaba, da Prefeitura de Piracicaba, por meio da Secretaria Municipal da Ação Cultural, da vereadora Silvia Morales (Mandato Coletivo A Cidade é Sua) e da Câmara de Vereadores de Piracicaba. Toda a programação é de acesso gratuito.

02/12 – Terça-feira – MISP (Engenho Central)

06/12 – Sábado – SESC Piracicaba (Comedoria) – 16h30

07/12 – Domingo – Casa do Povoador

Quem foi Madrinha Eunice

Nascida em 14 de outubro de 1909, em Piracicaba, no bairro do Pau Queimado, Madrinha Eunice (nome de batismo: Deolinda Madre) cresceu em meio às tradições do interior, onde teve contato com manifestações afro-brasileiras como o batuque de “umbigada” e o samba rural da região. Ainda jovem, mudou-se com a família para a capital, estabelecendo-se no bairro da Liberdade.

Em 1936, encantada pelo carnaval da Carnaval da Praça Onze, no Rio de Janeiro, ela decidiu levar aquela energia para São Paulo. No ano seguinte, fundou a Sociedade Recreativa Beneficente Esportiva Escola de Samba Lavapés — oficialmente criada em 1937 —, considerada a escola de samba mais antiga de São Paulo ainda em atividade.

À frente da Lavapés, Madrinha Eunice ajudou a consolidar o samba paulistano num período em que a cultura negra e o protagonismo de mulheres eram fortemente marginalizados. Com a Lavapés, ela abriu caminhos para tantos outros artistas e agremiações: nomes que saíram da Lavapés ajudaram a fundar outras entidades, como Vai-Vai, Unidos do Peruche e Nenê de Vila Matilde, mostrando a influência duradoura de sua iniciativa.

Mesmo sem ter filhos biológicos, ela atendeu e “batizou” dezenas de afilhados (foram 41 ao todo), o que justifica o apelido “Madrinha”. Madrinha Eunice faleceu em abril de 1995, aos 85 anos, vítima de complicações decorrentes da diabetes.