Pesquisadores do instituto Dog Aging Project, nos Estados Unidos, estão investigando o envelhecimento saudável em cães para descobrir formas de prolongar a vida dos animais. Enquanto a ciência trabalha em possíveis medicamentos para longevidade, o projeto já identifica medidas práticas que os tutores podem adotar para manter seus cães ativos e saudáveis por mais tempo.
Audrey Ruple, epidemiologista veterinária da Virginia Tech e envolvida no estudo, observa que a sociedade tem demonstrado crescente empenho em maximizar a expectativa de vida dos animais de estimação. "À medida que os seres humanos se tornaram individualmente ligados aos seus cachorros, passamos a pensar na expectativa de vida deles da mesma forma que pensamos na nossa", afirma Ruple.
A seguir, as principais descobertas do projeto sobre fatores que contribuem para a longevidade canina:
1. Exercício Físico regular e consistente
A atividade física regular é considerada uma das ações mais eficazes para promover uma vida longa e saudável aos cães. Kate Creevy, professora da Faculdade de Medicina Veterinária da Texas A&M e pesquisadora do projeto, indica que as evidências demonstram que o exercício está associado a uma melhor saúde cognitiva e a uma menor ocorrência de diagnósticos de doenças relatados pelos donos.
O exercício reduz as taxas de obesidade, condição ligada ao maior risco de doenças como diabetes, osteoartrite e problemas respiratórios, que podem encurtar a vida do cão.
A Associação para a Prevenção da Obesidade em Animais de Estimação dos Estados Unidos recomenda um mínimo de 30 minutos de atividade aeróbica por dia, embora a necessidade varie conforme a raça e o temperamento do animal. O fator crucial é a consistência. A atividade física intermitente e intensa, após longos períodos de sedentarismo, pode elevar o risco de lesões.
Caminhar é a atividade mais comum, mas correr, nadar, praticar trilhas ou participar de aulas de agilidade são opções válidas. Brincadeiras como buscar objetos, frisbee e cabo de guerra também são recomendadas.
2. Estímulo social e conexão
Pesquisadores do Dog Aging Project observaram que a conexão social impacta o bem-estar dos cães. Um estudo de 2023 revelou que cães com um maior círculo social, incluindo outros animais e humanos, apresentavam menos diagnósticos médicos relatados pelos tutores, como alergias e doenças gastrointestinais.
Creevy explica que as amizades estimulam os cães e os mantêm cognitivamente ativos. "Os cães são uma espécie social, assim como as pessoas", pontua a pesquisadora. Pesquisas anteriores já indicavam que ambientes enriquecidos, com brinquedos e tempo de interação, resultam em cães mentalmente mais ágeis na velhice, o que pode adiar o declínio cognitivo.
3. Castração ou esterilização
Estudos demonstram que cães castrados ou esterilizados vivem mais do que os não castrados. Em fêmeas, o procedimento reduz o risco de câncer de mama e elimina o risco de câncer de ovário e útero. Em machos, previne o câncer testicular e diminui o risco de doenças da próstata.
Além dos benefícios à saúde, cães castrados tendem a ser menos agressivos e menos propensos a sair em busca de parceiros, o que reduz a chance de acidentes como atropelamentos. Veterinários geralmente recomendam a castração quando o cão atinge a maturidade esquelética, com o momento ideal variando de acordo com a raça.
4. Nutrição adequada
A alimentação deve seguir padrões nutricionais estabelecidos por organizações veterinárias oficiais. Alimentos crus, refeições caseiras desbalanceadas e excesso de restos de comida (especialmente gordurosos) representam riscos à saúde do cão, podendo levar a infecções e problemas gastrointestinais e renais.
O maior problema observado atualmente por veterinários é a superalimentação. A obesidade tem sido associada à redução da expectativa de vida em cerca de 2,5 anos, por acelerar a artrite, doenças articulares e contribuir para problemas renais e hepáticos.
Ter uma massa corporal magra, por outro lado, está ligada a uma maior expectativa de vida. Creevy e Olstad recomendam a escolha de um alimento que atenda aos padrões nutricionais, buscando a declaração de adequação nutricional na embalagem para garantir que o produto é completo e equilibrado.
5. Idas frequentes ao veterinário
O agendamento de exames de rotina anuais para o animal de estimação pode auxiliar na detecção precoce de doenças, permitindo o início rápido do tratamento e melhorando os resultados de saúde a longo prazo.
Um artigo de 2023 indicou que cães avaliados regularmente por um veterinário tinham 30% menos chances de desenvolver doenças crônicas. Após as consultas de filhote, o ideal é que os cães consultem um veterinário anualmente e, ao atingirem a terceira idade, passem a ter duas consultas por ano.
6. Cuidados com a Higiene Oral
A higiene oral tem sido associada à redução da taxa de mortalidade em cães. Doenças dentárias podem causar inflamações, infecções potencialmente graves e agravar problemas de saúde pré-existentes, como doenças cardíacas.
A escovação diária é o recomendado, mas a escovação algumas vezes por semana já pode trazer benefícios. O objetivo principal não é a longevidade máxima, mas sim maximizar a expectativa de vida saudável do cão — o período em que o animal está ativo e livre de doenças.