A Operação Coffee Break, deflagrada pela Polícia Federal na última quarta-feira (12), apontou que uma ex-nora do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e um ex-sócio de um dos filhos do petista teriam atuado para favorecer o empresário André Gonçalves Mariano, preso durante a ação. A apuração investiga suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro e fraudes em contratos firmados com prefeituras do interior paulista.
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De acordo com a decisão da 1ª Vara Federal de Campinas, Mariano estruturou uma rede de intermediários para influenciar licitações e ampliar contratos da Life Tecnologia Educacional. A empresa teria movimentado R$ 111 milhões ao fornecer material escolar para municípios como Hortolândia, Morungaba, Sumaré e Limeira. Cinco pessoas foram presas, incluindo o vice-prefeito de Hortolândia, Cafu César (PSB), e o secretário de Educação, Fernando Gomes de Moraes.
A investigação mostra que o empresário utilizava o termo “café” para se referir ao pagamento de propina. Documentos analisados pela PF indicam que, entre 2021 e 2024, ele teria repassado valores a servidores, lobistas e operadores financeiros. Dados bancários revelam retiradas de grandes quantias em espécie — apenas entre janeiro de 2022 e junho de 2023, R$ 10,3 milhões teriam sido sacados por meio do doleiro Abdalla Ahmad Fares.
Entre os nomes citados no inquérito está Carla Ariane Trindade, ex-nora de Lula, que teria acompanhado Mariano em viagens a Brasília com despesas pagas por ele. A PF afirma que ela buscava facilitar o acesso do empresário a órgãos públicos, como o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), além de prefeituras da região metropolitana de São Paulo. Em mensagens, o contato de Carla aparecia salvo no celular do empresário como “Amiga de Paulínea” e “Nora”.
Outro personagem mencionado é Kalil Bitar, ex-sócio de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha. Segundo a PF, ele teria contribuído para ampliar o alcance da empresa de Mariano na capital federal, atuando na prospecção de contratos e na aproximação com gestores municipais.
A PF sustenta que Mariano operava um esquema que envolvia empresas de fachada e doleiros. Os valores recebidos pela Life, afirma a investigação, eram enviados a operadores clandestinos e posteriormente recuperados em dinheiro vivo, destinado ao pagamento de vantagens indevidas.