A Polícia Civil do Rio de Janeiro confirmou que parte do arsenal apreendido durante a megaoperação nos complexos da Penha e do Alemão, realizada na última terça-feira (28), é composta por armas de guerra utilizadas por forças militares da América do Sul. Entre os 91 fuzis encontrados, seis foram identificados como de origem estrangeira — dois pertencentes às Forças Armadas da Venezuela, um da Argentina e um do Peru. As armas fazem parte de um total de 118 apreensões, avaliadas em cerca de R$ 5,4 milhões, segundo estimativa da corporação.
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A investigação conduzida pela Coordenadoria de Fiscalização de Armas e Explosivos (CFAE) aponta que a maioria dos fuzis utilizados pelo Comando Vermelho (CV) chega ao Brasil por rotas ilegais na fronteira com o Paraguai e pela região amazônica, com o auxílio de organizações criminosas especializadas no tráfico internacional de armas. De acordo com o delegado Vinícius Domingos, responsável pela análise, “grande parte do material apreendido é de fabricação internacional e falsificada, mas em condições de uso imediato”. O poder de fogo incluía modelos equipados com lunetas, miras holográficas e acessórios de precisão, ampliando a capacidade de alcance e letalidade dos disparos.
A megaoperação, descrita por especialistas como uma das mais letais da história do estado, mobilizou 2,5 mil agentes, com o apoio de helicópteros, blindados e drones, em uma ação que pretendia desarticular a estrutura principal da facção criminosa. Apesar do cerco intenso, parte dos suspeitos conseguiu escapar por rotas subterrâneas e passagens camufladas entre residências, tática semelhante à utilizada na histórica invasão do Complexo do Alemão em 2010.
O confronto terminou com 121 mortos, sendo 117 suspeitos e quatro policiais. Os agentes mortos foram identificados como Marcus Vinícius Cardoso de Carvalho (53ª DP), Rodrigo Velloso Cabral (39ª DP), e os integrantes do Bope Cleiton Serafim Gonçalves e Heber Carvalho da Fonseca. Além das mortes, a ação resultou em 113 prisões e na apreensão de mais de 1 tonelada de drogas. As autoridades seguem rastreando o caminho das armas apreendidas e investigando possíveis conexões com redes internacionais de contrabando.