09 de julho de 2026
NOVOS ESTUDOS

Alzheimer: lítio pode revolucionar tratamento, segundo estudo

Por Bruno Mendes/JP |
| Tempo de leitura: 2 min
Foto: Freepik
Lítio é um possível agente capaz de modificar processos ligados a doenças neurodegenerativas

Um estudo recente de Harvard reacende a esperança no combate ao Alzheimer, apontando para o lítio como um possível agente neuroprotetor. A pesquisa, publicada na revista Nature, revelou uma conexão direta entre a queda dos níveis de lítio no cérebro e o surgimento de marcadores da doença, como as placas amiloides e os emaranhados de tau.

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Os resultados foram obtidos a partir da análise de tecido cerebral humano e de experimentos com camundongos. Nos animais, a remoção do lítio da dieta acelerou o desenvolvimento dessas placas, enquanto a suplementação de um tipo específico de lítio não só reverteu as alterações, mas também recuperou a memória, devolvendo ao cérebro um funcionamento mais jovem.

O professor Orestes Vicente Forlenza, da Faculdade de Medicina da USP, reforça a importância desses achados. Segundo ele, o lítio, já conhecido no tratamento de transtornos mentais, ganha agora destaque como um possível agente capaz de modificar processos ligados a doenças neurodegenerativas.

Da Água Potável ao Tratamento

A relação entre o lítio e a saúde do cérebro não é novidade. Forlenza explica que estudos epidemiológicos em países da Europa e América do Norte já haviam demonstrado uma associação entre a concentração de lítio na água potável e a menor incidência de Alzheimer.

"Isso é bastante coerente com o modelo que [o estudo de Harvard] utilizou," afirmou o professor em publicação no Jornal da USP. "Mostra que há uma depressão de lítio nos cérebros daqueles indivíduos que já têm os marcadores patológicos da doença de Alzheimer."

Embora as doses terapêuticas de lítio sejam muito mais altas, a pesquisa sugere que mesmo níveis baixos são essenciais para o bom funcionamento cerebral, destacando o papel fundamental do elemento.

Os achados clínicos também reforçam o potencial do lítio. Forlenza aponta que pacientes com transtornos mentais que fizeram uso crônico do medicamento apresentaram menos casos de Alzheimer e uma maior sobrevida cognitiva. "Essas são demonstrações que nós fizemos há mais de 15 anos," completa.

A comprovação de que níveis baixos de lítio podem ter efeitos biológicos protetores aumenta a segurança para seu uso em larga escala. O professor destaca o potencial de uma droga "barata" e "disponível", que pode ser usada em doses menores com efeitos comprovados.

"A gente tem todos aqueles elementos para realmente posicionar o lítio como um composto com um grande potencial terapêutico e protetor, não só contra a doença de Alzheimer, mas outras doenças degenerativas, como a doença de Parkinson," conclui Forlenza.