09 de julho de 2026
NOVO FUNGO

Fungo resistente: Piracicaba registra 1º caso no Brasil

Por Da redação |
| Tempo de leitura: 3 min
Divulgação
Embora não fatal, a principal preocupação é a dificuldade de tratamento e o risco de transmissão.

Um homem de 40 anos, residente em Londres e com histórico de viagens pela Europa, foi diagnosticado em Piracicaba com o primeiro caso no Brasil de infecção pelo fungo Trichophyton indotineae. A cepa apresenta resistência aos tratamentos convencionais, levantando preocupações entre especialistas sobre a disseminação e o manejo da condição.

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A ocorrência inédita no país foi identificada por dermatologistas de Piracicaba e detalhada em um artigo publicado nos Anais Brasileiros de Dermatologia. O paciente, um brasileiro que vive na capital inglesa e visitava familiares na cidade, procurou atendimento médico devido a uma micose persistente que não respondia às terapias utilizadas anteriormente.

O fungo Trichophyton indotineae foi primeiramente reportado na Índia e já circula em países da Europa, Ásia e América. Contudo, o número de casos relatados globalmente ainda é baixo, possivelmente devido a dificuldades na identificação e à subnotificação, conforme apontam pesquisadores da área.

A dermatologista Renata Diniz, responsável pelo atendimento inicial do paciente em Piracicaba, relatou ter estranhado o quadro clínico desde a primeira consulta. "Era um paciente jovem, com múltiplas lesões extensas e disseminadas, que não havia apresentado melhora com os antifúngicos de primeira linha. Isso me alertou para a necessidade de uma abordagem diferente", explicou a médica. Embora o paciente tenha apresentado resposta a uma nova medicação prescrita, as lesões retornaram após a conclusão do tratamento.

Diante da persistência da infecção, a Dra. Renata Diniz buscou a colaboração do dermatologista John Verrinder Veasey, coordenador do Departamento de Micologia da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) e coautor da pesquisa. Ele sugeriu a investigação específica do Trichophyton indotineae. Amostras foram então encaminhadas para análise em um laboratório especializado do Instituto de Medicina Tropical (IMT) da Universidade de São Paulo (USP), que confirmou a presença do fungo resistente.

Resistência Terapêutica é o Principal Desafio

Apesar de não representar, a princípio, um risco direto à vida, o principal ponto de atenção em relação ao Trichophyton indotineae é a sua resistência aos tratamentos usuais, conforme enfatiza a dermatologista. "Este é um fungo que se manifesta na pele, sem capacidade de se disseminar internamente ou causar complicações além das lesões cutâneas. O grande obstáculo reside na resistência terapêutica. Ele geralmente demonstra resistência ao principal antifúngico oral que empregamos, apresentando resposta a uma alternativa. No entanto, há recorrência das lesões após a interrupção do tratamento", alerta a profissional. Ela ressalta a inviabilidade do uso contínuo desses antifúngicos devido ao potencial de efeitos colaterais.

Abordagem Terapêutica Envolve Múltiplas Estratégias

A Dra. Renata Diniz detalha que o tratamento para a infecção pelo Trichophyton indotineae vai além da administração de antifúngicos. É fundamental o fortalecimento do sistema imunológico do paciente e a implementação de ajustes em sua rotina, especialmente no controle da umidade nas áreas afetadas, uma vez que a proliferação fúngica é favorecida por ambientes úmidos.

Transmissão Ocorre por Contato Direto e Indireto

A principal via de transmissão do fungo, segundo a dermatologista, é o contato direto com pessoas infectadas ou com objetos contaminados por elas. "Um exemplo simples é o compartilhamento de toalhas. Se uma pessoa infectada seca as mãos em uma toalha e outra pessoa a utiliza em seguida, pode ocorrer a transmissão. O contato pele a pele também é uma forma de contágio", explica.

A profissional destaca ainda o impacto potencial na qualidade de vida dos pacientes infectados. "A possibilidade de transmissão para outras pessoas, aliada à dificuldade de um tratamento definitivo, gera um impacto social e nas relações interpessoais. A disseminação de um fungo para o qual, no momento, não dispomos de tratamentos totalmente eficazes é uma preocupação", afirma.

Prevenção Baseia-se em Hábitos de Higiene

No que se refere à prevenção, a médica enfatiza a importância de cuidados básicos de higiene, como a não utilização de toalhas em locais públicos. "Dentro de casa, onde conhecemos o estado de saúde das pessoas, o risco é menor. Mas em locais públicos, como vestiários de academias e piscinas, que são ambientes quentes e úmidos com grande circulação de pessoas, o cuidado com o uso de toalhas e outros objetos pessoais deve ser redobrado". A Dra. Renata Diniz também reforça a necessidade de procurar um dermatologista ao identificar qualquer mancha vermelha com coceira na pele, visando um diagnóstico precoce.