27 de outubro de 2026
JULGAMENTO

Câmara de Taubaté rejeita contas de 2022 do ex-prefeito José Saud

Por Julio Codazzi | Taubaté
| Tempo de leitura: 3 min
Reprodução/Facebook
Dos 19 vereadores, 10 votaram pela aprovação das contas e nove pela rejeição; como parecer do TCE havia sido desfavorável, eram necessários ao menos 13 votos favoráveis para aprovar as contas

A Câmara de Taubaté rejeitou nessa terça-feira (27) as contas de 2022 do ex-prefeito José Saud (PP). Como o parecer do TCE (Tribunal de Contas do Estado) havia sido desfavorável, as contas seriam aprovadas somente caso recebessem os votos favoráveis de, ao menos, 13 dos 19 vereadores. No julgamento, 10 parlamentares votaram pela aprovação das contas, e nove pela rejeição.

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Os vereadores que votaram pela aprovação das contas foram: Alberto Barreto (PRD), Boanerge dos Santos (União), Douglas Carbonne (Solidariedade), Jessé Silva (Podemos), Dentinho (PP), Neneca (PDT), Nunes Coelho (Republicanos), Edson Oliveira (PSD), Richardson da Padaria (União) e Bobi (PRD).

Os vereadores que votaram pela rejeição das contas foram: Ariel Katz (PDT), Bilili de Angelis (PP), Diego Fonseca (PL), Isaac do Carmo (PT), Moises Pirulito (Podemos), Nicola Neto (Novo), Talita (PSB), Vivi da Rádio (Republicanos) e Zelinda Pastora (PRD).

TCE apontou déficit elevado e aumento das dívidas

Ao emitir parecer desfavorável às contas de 2022, o TCE destacou irregularidades como déficit orçamentário de R$ 125 milhões (essa é a diferença entre o que a Prefeitura arrecadou e gastou naquele ano), aumento das dívidas de curto e longo prazo e repasses em atraso ao IPMT (Instituto de Previdência do Município de Taubaté) que resultaram em multas e juros de R$ 1,9 milhão.

Saud chegou a pedir ao TCE o reexame das contas, sob alegação de que o déficit orçamentário se deu em razão da falta de repasses previstos por parte dos governos estadual e federal.

Ao rebater essa alegação, o TCE apontou que a Prefeitura arrecadou R$ 12,9 milhões a mais do que esperava em 2022, e que o orçamento aprovado para aquele ano já previa déficit de R$ 143 milhões, "desrespeitando desde o início o princípio do orçamento equilibrado". "A municipalidade caminhou em direção totalmente diversa da gestão fiscal responsável", destacou o conselheiro substituto-auditor Valdenir Antonio Polizeli.

Saud defende contas e critica Ortiz e TCE

Questionado pela reportagem sobre a rejeição das contas pela Câmara, Saud se defendeu. "A nossa preocupação sempre foi com as pessoas".

Sem citar o nome do ex-prefeito Ortiz Junior (Republicanos), Saud alegou ter sido prejudicado pelo antecessor. "Com uma dívida que Taubaté herdou do ex-prefeito, não havia muita alternativa para sair do buraco, sem forçar a cidade a crescer e para isso tinha que atender os anseios da população, naquilo que conseguisse sem diminuir salários, aumentar uniforme escolar, criar o cartão alimentação, a sopa nos bairros, fazer obras até em lugares mais afastados da zona rural e trazer novas empresas para gerar novos empregos, como o 'carro voador', que será um marco para isso. Enfim, sempre colocando Deus e a família como prioridades".

Saud também criticou a decisão do TCE. "Apesar do parecer desfavorável do colegiado (político), tivemos parecer favorável da parte técnica do TCE. Por tudo isso, os meus princípios ficam firmes e acredito sempre que um dia serei lembrado pelas coisas boas que fizemos e não pelas coisas que não conseguimos fazer".

Contas de 2023 também receberam parecer desfavorável

Em maio de 2024, a Câmara aprovou as contas de 2021 de Saud, referentes ao primeiro ano do mandato do ex-prefeito.

Em outubro de 2025, o TCE emitiu parecer desfavorável também às contas de 2023 de Saud, por irregularidades como déficit orçamentário de R$ 123 milhões (essa é a diferença entre o que a Prefeitura arrecadou e gastou naquele ano), resultado financeiro negativo de R$ 257 milhões (é a soma do déficit de 2023 com o resultado negativo observado no ano anterior, em 2022), ausência de repasses ao IPMT de R$ 93 milhões naquele período, aumento de 22% nas dívidas de curto prazo e aumento de 20% nas dívidas de longo prazo.

No caso das contas de 2023, no entanto, o processo ainda não foi remetido pelo TCE para a Câmara.