12 de outubro de 2026
FESTA DA PADROEIRA

Fé, gratidão e saudade marcam romaria a Aparecida em 2026

Por Xandu Alves | Aparecida
| Tempo de leitura: 4 min
Xandu Alves/OVALE
Sala das Velas no Santuário Nacional de Aparecida

Ajoelhar-se para percorrer a passarela que leva ao Santuário Nacional, agradecer por mais um ano de vida ou encontrar conforto para a saudade de quem já partiu. Em Aparecida, no Vale do Paraíba, a fé tem muitas formas, mas um sentimento em comum: a devoção a Nossa Senhora Aparecida, Padroeira do Brasil.

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Nesta segunda-feira (12), Dia de Nossa Senhora Aparecida, milhares de romeiros chegam à cidade para homenagear a santa e renovar promessas.

A expectativa é que a Festa da Padroeira reúna mais de 500 mil fiéis em 2026, público acumulado entre 3 e 12 de outubro, segundo estimativa do Ciet (Centro de Inteligência da Economia do Turismo), do governo do estado de São Paulo.

A previsão supera o público registrado em 2025, quando quase 494,6 mil pessoas participaram das festividades.

Entre os peregrinos, há histórias de gratidão, superação, saudade e esperança que ajudam a explicar por que a devoção atravessa gerações e mobiliza brasileiros de diferentes regiões do país.

De joelhos

Aos 63 anos, o jardineiro Emerson de Souza, de Ribeirão Preto (SP), mantém uma tradição que faz questão de repetir todos os anos: visitar Aparecida para agradecer pelas bênçãos recebidas. Desta vez, ele percorreu de joelhos (foto abaixo) a passarela do Santuário Nacional, em um gesto de fé e reconhecimento.

Para Souza, a peregrinação não é apenas o cumprimento de uma promessa. É uma oportunidade de expressar gratidão pela saúde e pela proteção que acredita receber de Nossa Senhora Aparecida ao longo do ano.

“Eu tenho muita fé na minha mãe, minha Nossa Senhora Aparecida. Eu não sou ninguém sem ela”, afirmou.

Depois de concluir o percurso, o romeiro resumiu o motivo que o leva de volta à cidade todos os anos: agradecer. Mais do que pedir por novas graças, ele celebra a oportunidade de continuar caminhando, com saúde, até a casa da padroeira.

“Um homem de 63 anos descer essa passarela com bastante saúde e fé”, disse Emerson, emocionado ao falar da experiência.

A intenção é manter a tradição enquanto tiver disposição para viajar. “Estando com saúde, todo ano eu venho aqui”, afirmou.

Acolhimento na casa da mãe

De Maceió (AL), Maria do Socorro, de 70 anos, também chegou a Aparecida movida pela fé e pelo desejo de agradecer. Embora não consiga visitar o Santuário Nacional todos os anos, ela acompanha as celebrações pela televisão quando está longe.

Em 2026, a oportunidade de estar novamente diante da imagem de Nossa Senhora Aparecida tem um significado especial. Para ela, o Santuário é um lugar de acolhimento, onde a devoção se transforma em conforto e esperança.

“Nossa Senhora Aparecida é a mãe de todos os brasileiros. Ela nunca nos abandona”, afirmou.

Aos pés da padroeira, Maria do Socorro agradece pela própria vida e pela família. Também faz um pedido que considera essencial para continuar retornando a Aparecida: saúde.

“É uma bênção estar aqui na casa da mãe. A gente se sente acolhida”, contou.

A fala traduz um sentimento presente entre muitos romeiros: a busca por um espaço de paz, para agradecer pelas conquistas, dividir preocupações e renovar a confiança no futuro.

Homenagem ao pai morto

Para Fátima Matilde Barroso, de 42 anos, de Belo Horizonte (MG), a viagem a Aparecida neste ano tem um significado diferente. A romaria também é uma forma de manter viva a memória do pai, que morreu recentemente e pretendia visitar o Santuário Nacional em 2026, como fazia habitualmente.

Sem conseguir realizar o passeio ao lado dele, Fátima decidiu seguir viagem para cumprir esse desejo de outra maneira: rezar pela alma do pai e homenagear os familiares que já partiram.

Acompanhada do marido e dos dois filhos, ela participa de uma excursão e encontrou no Santuário um lugar para transformar a saudade em oração.

“Eu vim para rezar pela alma dele e de todos os familiares que já se foram”, contou.

Na Sala das Velas, a devota também pediu saúde e felicidade para a família. Em suas orações, incluiu ainda um desejo que ultrapassa as questões pessoais: a paz no Brasil.

“É uma sensação maravilhosa entrar nesse Santuário”, afirmou.

Festa da Padroeira

A programação do Dia de Nossa Senhora Aparecida movimenta o Santuário Nacional ao longo desta segunda-feira (12). A missa solene das 9h é um dos principais momentos da celebração, que também inclui a missa das crianças, a consagração solene e a procissão de encerramento.

A edição de 2026 marca ainda a primeira vez que dom Mário Antônio da Silva, de 59 anos, conduz as celebrações do Dia da Padroeira como arcebispo da Arquidiocese de Aparecida.

A expectativa de público reforça a dimensão nacional da festa e a força de uma tradição que reúne famílias, grupos de peregrinos e devotos que percorrem longas distâncias para chegar à cidade.

Mas, para além dos números, a romaria é feita de histórias individuais. São pessoas que chegam com agradecimentos, pedidos, lembranças e promessas, muitas vezes carregando nas mãos velas, imagens e objetos que representam a própria devoção.

Histórias diferentes, unidas pela mesma fé. Em Aparecida, cada romeiro tem um motivo para chegar — e muitos encontram na devoção a Nossa Senhora Aparecida a força para seguir em frente.