O palhaço que fez tanta gente sorrir, partiu.
O sorriso, as histórias e a alegria do Palhaço Eugênio ficarão na memória de familiares, amigos e de dezenas de crianças que acompanharam suas apresentações em São José dos Campos. O ator, palhaço e artista plástico Carlos José Cesare, de 60 anos, morreu nesta segunda-feira (17), deixando uma trajetória de mais de quatro décadas dedicada à cultura.
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A despedida foi marcada por mensagens de carinho e emoção nas redes sociais. Gustavo Delfino, companheiro do artista, publicou uma homenagem: “Faleceu o amor da minha vida”.
Conhecido principalmente pelo personagem Palhaço Eugênio, também chamado de Eugênio Garnizé, Carlos Cesare construiu uma carreira que passou pelo teatro, televisão, música, literatura, artes plásticas e palhaçaria. Ele também atuava como bonequeiro, professor, autor, cantor e locutor.
A morte foi lamentada pela FCCR (Fundação Cultural Cassiano Ricardo), que destacou a contribuição do artista para a cultura de São José. Carlos integrava o projeto Arte nas Ruas e circulava pela cidade com o espetáculo Show do Eugênio.
“Multiartista, dedicava-se também às artes plásticas, à música, à literatura e à palhaçaria. Por quatro décadas, encantou o público em teatros ou pela televisão”, afirmou a Fundação Cultural em nota de pesar.
Antes de se tornar conhecido pelo personagem Palhaço Eugênio, Carlos Cesare também teve uma passagem marcante pela televisão. O artista integrou o elenco do programa “Qual é a Música?”, apresentado por Silvio Santos no SBT.
Segundo relato de Carlos, ele chegou ao programa após a saída de Pablo, em 1986. Para substituí-lo, Silvio Santos convidou um jovem de 20 anos que havia conquistado um prêmio no programa “Show de Calouros”.
Carlos trabalhou durante quatro anos no "Qual é a Música?", experiência que ampliou sua projeção nacional. Em entrevista relembrada após sua morte, o artista contou que Silvio Santos tinha uma simpatia especial por ele depois de descobrir uma coincidência entre os dois: ambos haviam nascido em 12 de dezembro.
A participação na televisão foi uma das experiências que ajudaram a construir a trajetória de Carlos Cesare, que posteriormente consolidou seu trabalho nos palcos, nas ruas e em projetos culturais.
Na cidade, Carlos Cesare ganhou notoriedade especialmente pelas apresentações como Eugênio. Durante anos, o personagem esteve presente em praças, espaços culturais e eventos, aproximando o público da arte da palhaçaria.
Um dos locais que se tornou parte dessa trajetória foi a praça do Aquarius. Amigos e admiradores lembraram dos finais de semana em que o artista se apresentava no local e reunia crianças ao seu redor.
“Guardaremos para sempre o seu sorriso, as suas histórias e a gratidão imensa por cada final de semana ao seu lado na praça do Aquarius”, escreveu uma das homenagens.
Outra mensagem resumiu o sentimento deixado pela partida: “O mundo não será o mesmo sem o Palhaço Eugênio.”
Também houve quem destacasse a importância do artista em manter viva uma forma de cultura baseada no encontro presencial com o público. “Eugênio mantinha viva uma cultura que pouco a pouco vai se perdendo nesse mundo digital”, escreveu outro admirador.
A despedida ganhou ainda mais emoção porque Carlos Cesare seguia trabalhando. Um dia antes da morte, ele havia divulgado uma apresentação gratuita do Show do Eugênio, prevista para o sábado, no Centro de Estudos Teatrais, junto ao Parque da Cidade.
Outra produção recente do artista era Armazém do Eugênio, espetáculo dirigido e interpretado por ele. A montagem reunia pantomima, mágica, dança, música clássica, manipulação de objetos e elementos tradicionais da palhaçaria, em uma narrativa marcada pelo humor e pelo nonsense.
Carlos também mantinha uma relação próxima com grupos e projetos culturais da cidade. O Grupo Boneco Vivo prestou homenagem ao artista e relembrou os oito anos de convivência com ele, incluindo sua participação como Malaquias na Caravana de Seu Malaquias.
“Não acredito ainda. Tivemos oito anos de muitos momentos no Grupo Boneco Vivo”, publicou o grupo.
As mensagens deixadas por amigos e admiradores ressaltam o impacto que o artista teve na vida de quem acompanhava seu trabalho.
“Maravilhoso! Sua perda é uma tristeza!! O céu está em festa!”, escreveu uma pessoa.
“Vai alegrar todo mundo lá em cima! Vai em paz! Você cumpriu sua bela missão. Vai deixar saudades na praça do Aquarius”, afirmou outra homenagem.
Também houve quem lembrasse que, poucos dias antes, Carlos fazia planos para o futuro. “Há dois dias estava aqui com planos para o futuro. A vida é um sopro! Sentiremos saudades!”, escreveu um amigo.
O velório de Carlos José Cesare foi realizado nesta segunda-feira (17), na Urbam, sala 3, das 11h às 16h. O sepultamento ocorreu às 16h, no Cemitério Municipal Padre Rodolfo Komorek, em São José dos Campos.
A partida encerra uma trajetória de mais de 40 anos, mas deixa na cidade a lembrança de um artista que fez da alegria, da imaginação e do contato com o público parte de sua missão.