17 de agosto de 2026
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Polícia apura se PMs à paisana atiraram contra tenente no Vale

Por Jesse Nascimento | Potim
| Tempo de leitura: 3 min
Reprodução

A Polícia Civil apura se policiais militares à paisana participaram da ação que terminou com um tenente da PM gravemente ferido a tiros na noite de sábado (15), em Potim, no Vale do Paraíba. O caso, inicialmente tratado como uma tentativa de homicídio, ganhou novos elementos após o registro do boletim de ocorrência na Delegacia de Guaratinguetá.

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O boletim levanta a possibilidade de fogo amigo, já que os disparos que atingiram o tenente podem ter partido de outros policiais militares. Um homem de 30 anos, que também estava no local, foi baleado durante a ocorrência.

Outro ponto sob investigação é a abordagem feita pelo tenente e por outros dois PMs. Segundo o boletim, os agentes estavam à paisana e desembarcaram de um Fiat Uno que não era uma viatura policial. O veículo pertence à irmã de um dos policiais.

Até o momento, porém, a Polícia Civil não confirmou oficialmente quem efetuou os disparos nem se os policiais envolvidos são responsáveis pelos tiros.

Leia mais: VEJA: Vídeo mostra tenente da PM sendo baleado no Vale

Câmeras registraram ataque em Potim

O crime ocorreu na Travessa Irineu Alves. Câmeras de segurança registraram o momento em que um Fiat Uno passa pela rua, às 22h14.

Em determinado ponto, o veículo para e homens desembarcam. Na sequência, são efetuados diversos disparos contra o tenente. A ação dura cerca de 16 segundos entre a parada do carro, os tiros e a fuga.

O tenente, de 31 anos, estava de folga no momento da ocorrência. Ele foi atingido na região do peito e socorrido em estado grave para a UPA de Guaratinguetá.

O outro homem, de 30 anos, foi baleado no pé e levado ao Pronto-Socorro da Santa Casa de Aparecida.

Suspeito diz que foi abordado por homens armados

O homem que acabou baleado foi ouvido pelas autoridades no hospital. Em depoimento, afirmou que havia saído de casa para comprar um maço de cigarros.

Segundo a versão apresentada por ele, quando estava próximo à saída de um beco, um Fiat Uno com três homens parou. Um deles teria descido do veículo atirando e ordenado que ele não corresse.

O homem relatou que correu pelo beco, mas caiu após ser atingido por um disparo. Ainda segundo o depoimento, ele ouviu os homens gritarem: "baleou, baleou".

O suspeito também afirmou ter visto uma motocicleta no local. O veículo, entretanto, não aparece nas imagens de segurança analisadas pela Polícia Civil.

Ele foi submetido a exame residuográfico, que não apontou a presença de resíduos de disparo.

Carro usado na ação pertence à família de PM

A investigação identificou o Fiat Uno utilizado na ocorrência. O veículo foi localizado posteriormente em uma rua de Guaratinguetá.

De acordo com o boletim, a proprietária do carro é irmã de um dos policiais envolvidos. Em depoimento, ela afirmou que o automóvel estava na posse do irmão, que havia adquirido recentemente o veículo e o utilizava para se deslocar ao trabalho naquela noite.

Depois da ocorrência, o policial teria entrado em contato com a irmã e pedido que ela retirasse o carro do local onde estava estacionado, nas proximidades da base da Polícia Militar em Potim. Segundo ela, o irmão alegou receio de que objetos deixados dentro do veículo fossem furtados.

A mulher afirmou que, naquele momento, não sabia o que havia acontecido. Posteriormente, soube da necessidade de realização de perícia no automóvel.

Questionada sobre o que teria sido relatado pelo irmão a respeito dos fatos, ela preferiu não reproduzir a versão apresentada por ele.

Policiais foram ouvidos pela Polícia Civil

Os investigadores estiveram no local, recolheram imagens de câmeras de segurança e levantaram informações para esclarecer a dinâmica dos disparos.

Na delegacia, dois dos policiais envolvidos optaram por não prestar declarações.

O caso foi registrado na Delegacia de Guaratinguetá como tentativa de homicídio e lesão corporal. A Polícia Civil busca esclarecer quem realizou os disparos e qual foi a participação de cada pessoa envolvida na ocorrência.

A Secretaria de Segurança Pública de São Paulo foi procurada pela reportagem para esclarecer a atuação dos policiais militares e informar o andamento da apuração. Até a publicação, não havia manifestação oficial.