Por quase três anos, Amarildo Batista da Silva carregava um sonho simples, mas enorme: ver as filhas gêmeas Heloísa e Helena separadas e, finalmente, podendo olhar uma para a outra.
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As meninas, de São José dos Campos, nasceram unidas pela cabeça e passaram por cinco procedimentos no Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto. A última cirurgia começou no sábado (15), mas, após 15 horas de procedimento, as duas não resistiram.
As meninas morreram e serão enterradas em São José.
O sonho do pai acompanhou toda a trajetória médica das meninas. Depois da primeira cirurgia, em agosto de 2025, Amarildo contou que esperava ver as filhas separadas e capazes de interagir de uma maneira que, até então, não era possível.
Era uma expectativa construída em cada etapa do tratamento.
O sepultamento aconteceu às 9h desta segunda-feira (17), no Cemitério Municipal Colônia Paraíso.
A separação não seria feita de uma só vez. Para reduzir os riscos e preparar as estruturas compartilhadas pelas meninas, os médicos dividiram o procedimento em cinco etapas.
A primeira cirurgia ocorreu em agosto de 2025. Depois vieram outras duas etapas voltadas ao avanço da separação das estruturas cerebrais e dos vasos sanguíneos compartilhados.
Em março deste ano, a quarta cirurgia teve outro objetivo: preparar a pele das meninas para que os médicos pudessem fechar os crânios após a separação definitiva.
A cada procedimento, a família se aproximava daquele momento que parecia ser o ponto final de uma longa espera.
Mas a quinta etapa, justamente a cirurgia definitiva, terminou de forma trágica.
Para a família, a separação significava muito mais do que o fim de uma sequência de procedimentos médicos.
Significava a possibilidade de Heloísa e Helena conhecerem uma nova forma de estar juntas.
O pai imaginava as duas podendo se olhar, interagir e descobrir uma relação que a condição em que nasceram não permitia da mesma maneira.
Esse sonho esteve presente durante todo o tratamento e ajuda a dimensionar o impacto da notícia da morte das meninas.
Heloísa e Helena passaram por um dos procedimentos médicos mais complexos realizados pelo Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto.
Mais de 50 profissionais participaram da etapa final. O planejamento começou em 2024 e envolveu exames de imagem, ressonâncias, tomografias, realidade virtual e modelos tridimensionais para estudar as estruturas compartilhadas pelas irmãs.
Quatro etapas anteriores haviam sido concluídas com sucesso.
A quinta, porém, não terminou como a família esperava.
O sonho de Amarildo era que as filhas pudessem, um dia, olhar uma para a outra.
A cirurgia buscava tornar isso possível. A despedida, porém, veio antes.