03 de julho de 2026
CATARATA

Mutirão: cirurgias no HMUT são suspensas; entidade vê retaliação

Por Julio Codazzi | Taubaté
| Tempo de leitura: 3 min
Divulgação/Grupo Chavantes
Mais de 1.000 cirurgias de catarata que seriam realizadas entre 9 e 30 de julho foram suspensas pela Prefeitura, por meio da Vigilância Sanitária; Grupo Chavantes vê retaliação por parte do município

A Prefeitura de Taubaté, por meio da Vigilância Sanitária, determinou nessa terça-feira (3) a suspensão das cirurgias de catarata que seriam realizadas entre os dias 9 e 30 de julho no HMUT (Hospital Municipal Universitário de Taubaté), por meio de um mutirão.

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No documento, ao qual a reportagem teve acesso, a Vigilância Sanitária justifica a medida por fatores como "ausência de informações" e determina que o Grupo Chavantes, que é o atual gestor do HMUT, tome medidas como "adequar procedimento de triagem e atendimentos realizados com registro dos respectivos profissionais executantes, bem como respeitando protocolo de higienização entre os atendimentos".

Ainda no documento, a Vigilância Sanitária cita a "ausência de informação de manutenção preventiva nos equipamentos utilizados no mutirão" e solicita que seja adequado o "procedimento de identificação dos pacientes". O órgão vinculado à Secretaria de Saúde afirma que as cirurgias programadas devem ficar suspensas "até apresentação dos documentos e validação desta Visa [Vigilância Sanitária]".

Chavantes diz que, com suspensão, Prefeitura 'tenta retaliar' a entidade

A suspensão das cirurgias ocorre em meio a atritos entre a Prefeitura e o Grupo Chavantes. Na última terça-feira (30), o município comunicou que não irá prorrogar o contrato com a entidade, que será encerrado no dia 1º de agosto.

Em nota enviada à reportagem, o Grupo Chavantes afirmou que, com a suspensão das cirurgias, a Prefeitura "tenta retaliar" a entidade e "prejudica milhares de pacientes". O Grupo Chavantes alegou que "foi surpreendido com a suspensão do mutirão", e afirmou que a ação "beneficiaria mais de 1.000 pacientes e tinha como objetivo zerar a fila de espera do município".

Ainda de acordo com a entidade, o mutirão teve início esse mês, "com consultas de avaliação pré-operatória já em andamento", e as cirurgias seriam feitas "em formato ambulatorial, em espaço estruturado para garantir segurança, organização e conforto aos pacientes".

O Grupo Chavantes afirmou ainda que "a suspensão da ação causa extrema preocupação, especialmente porque o HMUT realiza, em média, mais de 750 procedimentos cirúrgicos por mês, mantendo uma rotina assistencial regular e estruturada, sem qualquer apontamento de vigilância sanitária, seja municipal ou estadual".

"Diante disso, fica evidente que não existem fundamentos que justificam a interrupção de um mutirão previamente organizado, com recursos assegurados e destinado a atender milhares de pessoas que aguardavam pelo procedimento. O que existe claramente são tentativas de criar situações emergenciais, da mesma forma que ocorreu na renovação anterior, quando a Prefeitura reteve mais de 10 milhões em repasse, para que a Prefeitura rescinda artificialmente o contrato, e contratualize com entidade que seja de sua escolha, sem pensar no impacto e danos causados à saúde e dignidade humana", acrescentou a entidade.

O Grupo Chavantes afirmou também que o mutirão havia sido viabilizado por meio de uma emenda parlamentar de R$ 1,8 milhão, feita por um deputado estadual do PT, e que "eventuais questões administrativas ou contratuais não podem se sobrepor ao interesse público, nem resultar na paralisação de uma iniciativa assistencial de grande impacto social".

Prefeitura diz que cirurgias serão liberadas 'após as adequações solicitadas'

Também em nota, a Prefeitura afirmou que o mutirão não foi suspenso, pois "as triagens seguem em andamento, com avaliação dos pacientes e organização das agendas para os procedimentos". Sobre as cirurgias, o município alegou que "estão sendo programadas e serão realizadas conforme o cronograma assistencial, após as adequações solicitadas pela Vigilância Sanitária".

"As fiscalizações realizadas pelas Vigilâncias Sanitárias municipal e estadual fazem parte dos protocolos técnicos de segurança exigidos para a realização de procedimentos de saúde. Os apontamentos identificados estão sendo tratados pelas equipes responsáveis, sem interrupção da etapa de triagem", alegou a Prefeitura.

"A Prefeitura reforça que atua com responsabilidade para garantir a segurança dos pacientes, a regularidade dos procedimentos e a continuidade do atendimento à população. A Chavantes deve manter as condições sanitárias para a realização das cirurgias e a Secretaria de Saúde irá fiscalizar para que isso aconteça", completou o município.