O mercado imobiliário do Vale do Paraíba vive um momento de contrastes. Enquanto a procura por imóveis para locação disparou 33,87% em maio, as vendas de imóveis residenciais usados recuaram 10,64% em comparação com abril, marcando o segundo mês consecutivo de queda nas negociações de compra e venda na região.
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Os dados fazem parte da pesquisa divulgada pelo CrecI-SP (Conselho Regional de Corretores de Imóveis de São Paulo), que aponta uma mudança no comportamento dos consumidores e um fortalecimento do mercado de aluguel em cidades do Vale do Paraíba.
A expressiva alta nas locações mostra que a demanda por moradia continua aquecida, mesmo diante da retração nas vendas. O levantamento revela que a mobilidade habitacional voltou a crescer, impulsionada principalmente pela busca por imóveis com melhor custo-benefício e pela dificuldade de parte da população em acessar o crédito imobiliário.
O mercado de aluguel foi liderado pelas casas, responsáveis por 58% dos contratos fechados em maio. Os apartamentos responderam por 42% das locações. A preferência dos moradores ficou concentrada em imóveis de dois dormitórios, tanto entre casas quanto apartamentos, reforçando a procura por unidades de padrão intermediário voltadas à classe média.
Outro dado que chama atenção é a valorização dos bairros periféricos e emergentes. Nas locações, 44% dos contratos foram firmados em regiões fora dos centros tradicionais, percentual superior ao registrado nos bairros nobres. A tendência também se repetiu nas vendas, onde 68% dos negócios ocorreram em áreas classificadas como "demais regiões", evidenciando o avanço da expansão urbana e o interesse crescente por bairros com infraestrutura em desenvolvimento.
No segmento de compra e venda, apesar da queda mensal, o mercado segue apresentando números positivos no acumulado do ano. Entre janeiro e maio, as vendas avançaram 38,21%, enquanto as locações acumulam crescimento de 41,22%.
As casas representaram 53% das vendas realizadas em maio, enquanto os apartamentos responderam por 48% das negociações. Os imóveis com valores acima de R$ 501 mil lideraram o mercado, concentrando cerca de 30% das transações, mostrando que compradores com maior capacidade de investimento continuam ativos na região.
O financiamento imobiliário permanece como uma das principais ferramentas para aquisição de imóveis. Os financiamentos concedidos pela Caixa Econômica Federal responderam por 34,1% das compras, enquanto os contratos firmados diretamente com os proprietários alcançaram 36,6%, percentual que superou os financiamentos realizados por bancos privados.
No mercado de aluguel, a faixa de preço mais procurada ficou entre R$ 1.501 e R$ 2.000 mensais, responsável por mais de um terço dos contratos assinados. O seguro-fiança foi a modalidade de garantia mais utilizada pelos locatários, presente em 39,3% das negociações.
Para especialistas do setor, os números mostram que o mercado imobiliário do Vale do Paraíba segue aquecido, mas passa por um processo de adaptação às condições econômicas atuais. A combinação entre crescimento das locações, valorização dos bairros periféricos e manutenção da demanda por imóveis residenciais reforça o potencial de expansão da região, considerada uma das mais estratégicas do estado de São Paulo.