18 de junho de 2026
DENÚNCIAS DE ASSÉDIO

Unesp amplia afastamento de professores após denúncias em SJC

Por Xandu Alves | São José dos Campos
| Tempo de leitura: 3 min
Reprodução
Denúncia de estupro contra estudante foi revelada por OVALE

A direção do ICT (Instituto de Ciência e Tecnologia) da Unesp (Universidade Estadual Paulista), campus de São José dos Campos, prorrogou por até 180 dias o afastamento dos dois professores denunciados por assédio a alunas da instituição.

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Inicialmente afastados por 30 dias no início de maio de 2026, os docentes permanecerão fora das atividades acadêmicas até a conclusão dos procedimentos internos em andamento. A medida foi tomada em 3 de junho. O novo prazo de afastamento pode chegar a seis meses.

“O afastamento permanecerá vigente até a conclusão dos procedimentos internos em andamento, observados os prazos e normativas institucionais aplicáveis, podendo alcançar até 180 dias”, informou a Unesp.

O afastamento dos professores foi divulgado em nota oficial da universidade, após a repercussão de denúncias envolvendo situações de assédio e abuso no ambiente acadêmico.

O caso foi revelado por OVALE e ganhou repercussão nacional. Carolina Ferreira, de 21 anos, aluna de odontologia da Unesp de São José, afirmou ter sido estuprada por um professor da instituição em 2023, quando tinha 18 anos.

Segundo o relato da jovem, o episódio e os desdobramentos posteriores fizeram com que ela deixasse a universidade.

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Andamento da investigação

Sobre a investigação dos fatos denunciados, a universidade informou que os procedimentos de apuração preliminar encontram-se em curso, sob orientação e condução da Assessoria Jurídica da Unesp, em “estrita observância aos princípios do devido processo legal, da ampla defesa e do contraditório”. A Unesp disse que não há resultado final a ser divulgado neste momento.

Paralelamente às apurações, o ICT/Unesp disse estar adotando medidas concretas para o fortalecimento das ações de prevenção, acolhimento e enfrentamento ao assédio no ambiente universitário.

Entre as iniciativas implementadas, houve a formalização de um termo de compromisso com representantes das entidades estudantis, contemplando 12 propostas de trabalho voltadas à promoção de um ambiente acadêmico mais seguro, respeitoso e inclusivo.

 Também foi criado um Grupo de Trabalho Mulheres do ICT, responsável pelo acolhimento, proposição e organização de palestras, atividades educativas e ações de conscientização direcionadas à comunidade universitária. O Grupo de Trabalho Mulheres do ICT já está em funcionamento.

Haverá reuniões mensais da direção do ICT com os representantes das entidades estudantis para atualização sobre os processos institucionais, acompanhamento das ações em andamento e diálogo permanente sobre demandas relacionadas aos estudantes.

“A Universidade volta a reafirmar seu compromisso com a apuração rigorosa de todas as denúncias recebidas e com a promoção de um ambiente acadêmico pautado pelo respeito, pela segurança e pela dignidade de toda a comunidade universitária”, disse a instituição.

Denúncias e protestos

Após a denúncia de Carolina vir à tona, outros relatos começaram a surgir. De acordo com organizadores de uma manifestação realizada em São José, em 4 de maio, cerca de 10 casos teriam sido relatados por estudantes e ex-alunos.

O ato reuniu aproximadamente 200 estudantes da Unesp de São José dos Campos. Vestidos de preto, eles se concentraram no campus da Odontologia e depois seguiram por ruas da região central da cidade, cobrando investigação rigorosa, acolhimento às vítimas e punição aos responsáveis.

Durante a manifestação, os alunos carregaram cartazes contra assédio, violência de gênero e abuso de poder no ambiente universitário.