Uma estrutura comparada à de uma multinacional, com cúpula, setor financeiro, braço jurídico, divisão internacional e comando territorial espalhado pelo Brasil e exterior. O organograma secreto do PCC (Primeiro Comando da Capital), obtido com exclusividade por OVALE, revela como funciona a facção criminosa criada em Taubaté e que passou a ser classificada pelo governo Donald Trump como organização terrorista estrangeira.
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O PCC, facção nascida dentro da Casa de Custódia de Taubaté, entrou na mira do governo dos Estados Unidos. Nesta quinta-feira (28), a administração do presidente Donald Trump anunciou a inclusão do PCC e do CV (Comando Vermelho) na lista de organizações terroristas estrangeiras.
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A medida passa a valer em 5 de junho e abre caminho para sanções financeiras internacionais, bloqueios patrimoniais e ampliação de ações contra o narcotráfico transnacional. Segundo o Departamento de Estado norte-americano, a decisão faz parte da estratégia de combate a organizações criminosas que movimentam bilhões de dólares com tráfico de drogas, armas e lavagem de dinheiro.
O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, afirmou que PCC e CV estão entre “as organizações criminosas mais violentas do Brasil” e destacou que as facções possuem atuação internacional.
“Juntas, elas comandam milhares de membros e têm orquestrado ataques brutais contra policiais brasileiros, autoridades públicas e civis”, afirmou Rubio.
Segundo estimativas do Ministério Público, o PCC movimenta cerca de R$ 10 bilhões por ano, possui aproximadamente 40 mil integrantes e atua em todos os estados brasileiros, além de estar presente em 28 países.
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O organograma obtido por OVALE expõe as entranhas da facção criada em 31 de agosto de 1993, no chamado “Piranhão”, anexo da Casa de Custódia de Taubaté.
O documento mostra uma organização estruturada como empresa privada, com setores especializados, divisão de funções, controle financeiro, expansão internacional e comando disciplinar.
“O PCC é uma máfia, associada a outras máfias”, afirmou a OVALE o promotor de Justiça Alexandre Castilho, integrante do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado).
A estrutura criminosa possui uma cadeia hierárquica definida, responsável por coordenar desde o tráfico internacional de drogas até a atuação dentro dos presídios.
No topo do organograma aparece a chamada “Sintonia Final”, considerada a instância máxima do PCC.
Sob influência de Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola, preso em Brasília, a cúpula é responsável por decisões estratégicas, expansão territorial, alianças criminosas e movimentação financeira ligada ao tráfico internacional.
É a “Sintonia Final” que determina regras internas, autoriza operações e controla os grandes fluxos financeiros da organização.
Logo abaixo da cúpula está o chamado “Quadro dos 14”, espécie de conselho interno da facção.
Os integrantes desse núcleo funcionam como ponte entre a liderança máxima e as demais divisões do PCC. Eles supervisionam operações regionais, transmitem ordens e controlam áreas estratégicas.
Segundo investigações, os membros dessa elite criminosa recebem benefícios como moradia, veículos e remuneração fixa.
Anteriormente, o grupo era chamado de “Quadro dos 36”, mas foi reduzido durante reestruturação interna da facção.
O organograma também revela o setor conhecido como “Gravatas”, responsável pela interface do PCC com o chamado mundo legal.
O núcleo é formado por advogados ligados à facção, usados para defender integrantes, transmitir ordens de líderes presos e administrar recursos destinados a familiares de criminosos.
Segundo Castilho, o PCC investe inclusive na formação acadêmica de aliados. “A facção financia cursos superiores. Eles investem nas pessoas”, afirmou o promotor.
A estrutura financeira aparece dividida em diferentes setores de arrecadação.
Entre eles estão:
As investigações apontam que o PCC utiliza empresas de fachada, fintechs e esquemas de lavagem de dinheiro para movimentar recursos do tráfico.
O principal motor financeiro do PCC é o tráfico internacional de drogas, identificado no organograma como “Sintonia do Progresso”.
Entre as subdivisões aparecem áreas ligadas à produção, exportação e distribuição de drogas.
O documento aponta rotas internacionais envolvendo Bolívia e Paraguai, considerados corredores estratégicos para o escoamento de cocaína para Europa, África e outros mercados.
“O PCC hoje é o tráfico internacional. Muitas lideranças estão escondidas na Bolívia”, afirmou Castilho.
O organograma também mostra a divisão territorial da facção no estado de São Paulo. O Vale do Paraíba aparece identificado como “Sintonia 012”, responsável pelo gerenciamento regional da facção.
A região vive atualmente uma guerra entre o PCC e facções rivais vindas do Rio de Janeiro, como Comando Vermelho (CV), Terceiro Comando (TC) e Amigos dos Amigos (ADA).
Nos últimos anos, o conflito elevou os índices de homicídios em cidades do Vale e do Litoral Norte, transformando comunidades em áreas de disputa por pontos de tráfico.
Outra parte central do organograma está ligada ao sistema penitenciário.
O PCC mantém divisões específicas para CDPs, presídios, cadeias, unidades femininas e colônias penais.
As autoridades apontam que o domínio dentro das prisões foi fundamental para a expansão da facção pelo país.
Criado no “Piranhão” de Taubaté, o PCC deixou de ser apenas uma organização ligada ao sistema prisional paulista e se transformou em uma rede criminosa internacional, agora enquadrada pelos Estados Unidos como organização terrorista estrangeira.