Selecionado pela Anac (Agência Nacional de Aviação Civil), o Aeroporto Internacional de São José dos Campos (SJK Airport) poderá ter testes dos “carros voadores” a partir de 2027. Os testes apontarão quais são as regras necessárias para os vertiportos.
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O vertiporto será uma estrutura destinada à operação dos "carros voadores", como são popularmente chamadas as aeronaves elétricas de decolagem e pouso vertical, conhecidas como eVTOLs — tecnologia que está sendo desenvolvida no Brasil pela Eve Air Mobility, subsidiária da Embraer.
Além de São José, o Campo de Marte, aeroporto instalado na zona norte de São Paulo, também receberá os testes dos “carros voadores”. A estrutura deve abrigar o primeiro vertiporto da capital.
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Há um ano, o Aeroporto de São José dos Campos assinou o termo de adesão ao Sandbox Regulatório de Vertiportos, iniciativa pioneira promovida pela Anac. Foi o primeiro passo para a implantação dos primeiros vertiportos experimentais do Brasil.
O plano de implantação foi desenvolvido em parceria com a VertiMob Infrastructure, e conta com o apoio de empresas de peso na indústria aeronáutica, como Eve, Dassault Systèmes, Voar e EngeletricaSul. Juntas, essas organizações promovem uma articulação inovadora voltada à construção de um novo modelo operacional para a aviação do futuro.
O vertiporto experimental será instalado na área de run-up do SJK Airport, setor normalmente destinado a testes de motor. Com a formalização do termo de adesão, as equipes técnicas iniciaram a etapa de simulações e análises operacionais, com previsão de início das operações experimentais em 2027, quando os primeiros “carros voadores” deverão estar prontos para voar.
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Por enquanto, os “carros voadores” estão na fase de protótipo, com simulações digitais e voos sem tripulantes. Mas, a partir de 2027, segundo o contrato com a Anac, devem começar os testes de decolagens e pousos. O objetivo é avaliar a nova tecnologia em um ambiente controlado.
A ideia é testar quais procedimentos, equipamentos, sinalizações e respostas a emergências são necessários, além de eventuais riscos. O contrato prevê, inclusive, estudos sobre o uso de helipontos por eVTOLs. A partir disso, a Anac pretende criar a regulamentação dos vertiportos, para só depois autorizar os voos.
A Eve Air Mobility divulgou, em 9 de abril, ter atingido, desde o voo inaugural em dezembro de 2025, a marca de 50 voos de teste bem-sucedidos com seu protótipo de engenharia.
Conforme a empresa, ela deve iniciar ainda neste ano a produção desses protótipos, avançando para seis unidades que serão utilizadas na campanha de ensaios de certificação junto à Anac.
A Eve prevê a certificação de sua aeronave a partir de 2027, com o início das operações comerciais em seguida, após o cumprimento de todos os marcos regulatórios. O modelo, segundo a fabricante, pode transportar até quatro passageiros e um piloto. A autonomia é de cerca de 100 km, ideal para trajetos urbanos e regionais.
A operação comercial dos “carros voadores” ainda não existe em nenhum lugar do mundo. E só será iniciada após todas as certificações necessárias, tanto dos equipamentos como dos pilotos.
“Estamos seguindo as boas práticas internacionais de que, no início, para ter a certificação para eVTOL o piloto deve ser de avião ou de helicóptero”, diz Júlia Lopes da Silva Nascimento, diretora de planejamento e fomento da Secretaria Nacional de Aviação Civil.
A Anac tem a responsabilidade de certificar os equipamentos. “O primeiro pedido formal é de 2022 , diz Roberto Honorato, diretor da agência. “Somos pioneiros mesmo. Há três autoridades do mundo certificando esses equipamentos. O Brasil está no meio porque tem eVTOLs vindos de fora e outros produzidos aqui.”
* Com informações do jornal O Estado de S. Paulo