16 de março de 2026
CASO GISELE

Morta com tiro na cabeça, PM Gisele não tinha tendência suicida

Por Da redação | São José dos Campos
| Tempo de leitura: 3 min

A morte da policial militar Gisele Alves Santana, de 32 anos, ganhou novos elementos na investigação conduzida pela Polícia Civil. Em depoimento prestado na última sexta-feira (13), o ex-marido da vítima afirmou que Gisele não apresentava tendências suicidas, segundo relato do advogado da família.

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A policial foi encontrada morta no dia 18 de fevereiro, com um tiro na cabeça, dentro do apartamento onde morava com o então marido, o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, oficial da Polícia Militar.

O próprio oficial estava no local e comunicou a ocorrência às autoridades, inicialmente tratada como suicídio. Com o avanço das investigações, porém, o caso passou a ser tratado como morte suspeita.ovale

O tenente-coronel, que é natural de Taubaté e tem residência em São José dos Campos, nega qualquer participação na morte da esposa.

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O que disse a defesa de Gisele 

De acordo com José Miguel da Silva Junior, que representa os familiares da policial, o homem descreveu a ex-companheira como uma pessoa que planejava reorganizar a vida após a separação.

“É relevante ele ter relatado que ela não tinha tendências suicidas, que era uma moça que estava querendo se separar. Ela queria alugar uma casa e não conseguiu, depois pensou em voltar para a casa dos pais”, afirmou o advogado.

Filha tinha medo de voltar ao apartamento

Segundo o advogado da família, o ex-marido também relatou à polícia que a filha do casal, de 7 anos, tinha medo de ficar na residência onde Gisele morava com o padrasto.

“O pai confirmou que a criança tinha pavor de permanecer no local com o senhor Geraldo Leite Neto”, disse o advogado após o depoimento.

Em reportagens anteriores de OVALE, familiares afirmaram que a menina chegou a dizer que “a mamãe estava sofrendo muito”.

Laudo aponta marcas no pescoço

Obtido por OVALE, o laudo do IML (Instituto Médico Legal) aponta lesões na face e no pescoço da policial.

Os peritos identificaram marcas compatíveis com pressão de dedos, além de uma escoriação semelhante a arranhão provocado por unha, conhecida tecnicamente como estigma ungueal.

O documento integra o inquérito que investiga as circunstâncias da morte da policial.

Disparo atravessou o crânio

O exame necroscópico aponta que o projétil entrou pelo lado direito da cabeça e saiu pelo lado esquerdo, atravessando o crânio e provocando graves lesões cerebrais.

A causa da morte foi definida como traumatismo cranioencefálico provocado por disparo de arma de fogo.

Os peritos também identificaram fraturas extensas no crânio, além de sinais de sangramento pelo nariz e pelo ouvido.

Tenente-coronel nega envolvimento

Em entrevista à TV Record, ele afirmou que não sabe quem teria provocado as marcas encontradas no pescoço da policial e levantou a hipótese de que a própria vítima poderia ter feito as lesões antes de morrer.

O oficial também declarou que jamais faria mal à esposa.

Investigação segue em andamento

Perícias e depoimentos também levantaram dúvidas sobre a preservação da cena do apartamento onde a policial foi encontrada. Segundo a Polícia Científica de São Paulo, alterações no local podem ter comprometido parte da perícia inicial.

A Secretaria da Segurança Pública de São Paulo informou que o caso segue sendo investigado pela Polícia Civil e pela Corregedoria da Polícia Militar.