O tenente-coronel da Polícia Militar Geraldo Leite Rosa Neto viajou para São José dos Campos no mesmo dia em que sua esposa, a soldado Gisele Alves Santana, de 32 anos, morreu após ser atingida por um tiro na cabeça dentro do apartamento onde o casal morava, no bairro do Brás, região central de São Paulo.
O caso aconteceu na manhã do dia 18 de fevereiro e foi inicialmente registrado como suicídio. No entanto, após a família da vítima denunciar o comportamento abusivo do oficial e novas informações terem colocado em xeque a versão do marido, o caso agora é tratado como morte suspeita.
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A informação obtida por OVALE consta em depoimento prestado à Polícia Civil pela inspetora de condomínio Fabiana Capinan de Carvalho Pereira, que trabalhava no prédio e acompanhou parte da movimentação após o disparo.
Segundo a testemunha, o oficial permaneceu no corredor do prédio após o atendimento inicial e retornou ao apartamento para buscar pertences antes de seguir para o interior paulista. O tenente-coronel tem imóvel em São José dos Campos e é natural de Taubaté.
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De acordo com o relato da inspetora, o oficial da PM aparentava nervosismo enquanto aguardava no corredor do prédio, durante o atendimento à esposa. Ela afirmou à polícia que o oficial parecia chorar, mas sem que lágrimas caíssem. “Ele estava nervoso. Eu via que chorava, mas não caía nenhuma lágrima”, afirmou a testemunha em depoimento.
A inspetora contou ainda que, ao chegar ao andar do apartamento, encontrou o oficial caminhando pelo corredor. Segundo ela, o tenente-coronel estava sem camisa e não apresentava manchas de sangue nas mãos ou no corpo.
Ainda conforme o depoimento, ao ser questionado, o militar afirmou que Gisele havia atirado contra a própria cabeça.
Ao se aproximar da porta do apartamento, a inspetora relatou ter visto a policial caída no chão, com grande quantidade de sangue, enquanto socorristas realizavam manobras de reanimação.
Gisele foi socorrida e levada ao Hospital das Clínicas, mas morreu horas depois em decorrência de traumatismo cranioencefálico.
Durante o atendimento à vítima, a inspetora relatou que uma policial informou ao tenente-coronel que Gisele ainda estava viva.
Nesse momento, segundo ela, o oficial respondeu: “Com o tiro que ela levou, não vai sobreviver.” A declaração foi incluída no depoimento prestado à Polícia Civil.
Enquanto aguardava no corredor do prédio, o tenente-coronel também falava ao telefone com uma pessoa a quem chamava de “excelência”, segundo a testemunha.
A investigação aponta que se tratava do desembargador Marco Antônio Pinheiro Machado Cogan, do TJ (Tribunal de Justiça) de São Paulo, amigo do oficial.
Registros indicam que o magistrado esteve no prédio ainda naquela manhã.
A testemunha também afirmou que três policiais militares femininas entraram no apartamento horas após a ocorrência, às 17h48, para realizar a limpeza do imóvel.
Segundo o relato, o local ainda apresentava manchas de sangue na sala, decorrentes das tentativas de reanimação feitas pelos socorristas.
Gisele foi baleada na cabeça na manhã de 18 de fevereiro. O caso inicialmente foi tratado como possível suicídio, mas passou a ser investigado como morte suspeita pela Polícia Civil.
A arma usada no disparo foi uma pistola Glock calibre .40, pertencente ao acervo da Polícia Militar e registrada em nome do oficial.
A investigação ganhou novos desdobramentos após depoimentos de socorristas, vizinhos e testemunhas, além da exumação do corpo da policial, realizada após autorização judicial.
Peritos identificaram lesões no pescoço e em outras partes do corpo, e exames complementares foram solicitados para verificar se houve compressão cervical antes do disparo.
Em nota, a defesa do tenente-coronel afirmou que ele não é investigado, suspeito ou indiciado no caso e que tem colaborado com as autoridades.
A Polícia Civil e a Corregedoria da Polícia Militar seguem apurando as circunstâncias da morte da policial.