11 de julho de 2026
DRAMA

Jovem baleado por PM em São José tem morte cerebral, diz família

Por Xandu Alves | São José dos Campos
| Tempo de leitura: 4 min
Reprodução
Carlos Alberto Chagas Júnior, 21 anos, foi baleado na cabeça

Baleado na cabeça por um policial militar em São José dos Campos, após perseguição pela zona sul da cidade, na noite de domingo (25), Carlos Alberto Chagas Júnior, 21 anos, está em um quadro der morte cerebral. Ele estava em coma na UTI (Unidade de Terapia Intensiva) do Hospital Municipal de São José, na Vila Industrial.

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Segundo a tia de Carlos Alberto, a equipe médica informou aos familiares que ele não responde mais a estímulos nesta terça-feira (27). Exames serão feitos para que a equipe possa acionar o protocolo de morte cerebral.

Carlos Alberto foi atingido na cabeça e apresentava sangramento, que depois foi confirmado como ferimento de entrada de projétil. Ele foi socorrido com vida e encaminhado ao centro cirúrgico.

Segundo a tia, o jovem perdeu massa encefálica e estava entubado na UTI, em coma, lutando para sobreviver. “Ele está vivo, mas o estado é bastante grave. Ele ainda corre risco. Ele está nas mãos de Deus”, disse ela a OVALE na segunda (26).

Ela contou que Carlos Alberto tem um filho pequeno e que a mulher está novamente grávida. Ele iria começar um trabalho como ajudante de pedreiro nesta segunda-feira (26). “Ele trabalha de motoboy, tem filho de 2 anos e esposa está grávida. Ia começar trabalho de ajudante hoje”, afirmou a tia.

Leia mais: VÍDEO: Motociclista é baleado na cabeça por PM em São José

Leia mais: Vídeo mostra perseguição no Campo dos Alemães; jovem foi baleado

O caso

Segundo o boletim de ocorrência, Carlos Alberto estava em uma moto com registro de furto e pilotava sem capacete. O documento aponta que, em consultas aos históricos de ocorrências criminais, nos sistemas policiais, não há anotações contra o rapaz.

A perseguição passou por bairros como Parque Interlagos e Campo dos Alemães, e terminou com disparos e colisão com veículo estacionado.

No documento, a Polícia Civil registra a ocorrência como flagrante para apuração dos crimes relacionados e reconhece a existência de legítima defesa na intervenção do agente estatal. O texto ressalta que eventual excesso poderá ser verificado pela autoridade responsável pela investigação, especialmente com a análise de imagens de câmeras corporais.

Segundo o boletim de ocorrência, Carlos Alberto estava em uma moto com registro de furto e pilotava sem capacete. O documento aponta que, em consultas aos históricos de ocorrências criminais, nos sistemas policiais, não há anotações contra o rapaz.

A perseguição passou por bairros como Parque Interlagos e Campo dos Alemães, e terminou com disparos e colisão com veículo estacionado.

No documento, a Polícia Civil registra a ocorrência como flagrante para apuração dos crimes relacionados e reconhece a existência de legítima defesa na intervenção do agente estatal.

O boletim também aponta que uma equipe de apoio localizou uma arma de fogo caída no chão, próxima ao local onde Carlos Alberto tombou, sendo o material apresentado e devidamente lacrado. Trata-se de um revólver calibre 38, com dois cartuchos íntegros, que no BO foi relacionado ao suspeito. A ocorrência também registra a apreensão de armamento relacionado ao policial que efetuou os disparos.

A família contesta a versão de que Carlos Alberto estaria armado. “A moto que ele estava seria de um amigo que ele pegou para dar uma volta. Ele deu fuga, sabemos que fez errado, mas estão falando que ele estava armado. Ele não atirou”, disse a tia.

“Fez errado, mas arma não estava com ele. A população estava revoltada e ele ficou aguardando resgate por um grande tempo”, completou.

Perseguição

A ocorrência começou quando equipes da Polícia Militar passaram a acompanhar uma motocicleta considerada suspeita, em São José. Durante o deslocamento, o acompanhamento foi sendo atualizado via rádio e seguiu por vias da cidade até a região do Campo dos Alemães.

Na etapa final do trajeto, houve disparos e o condutor caiu ao solo após ser atingido e colidir com um carro estacionado. No local da ocorrência, populares protestaram contra o policial e a PM.

O registro policial aponta que, após conferência de munições e checagem de registros, foram contabilizados oito disparos, com um acerto.

Após a queda, a polícia relata que foi possível confirmar, por sinais identificadores do veículo, que a moto era produto de furto. O caso foi registrado com natureza de receptação de veículo, além de outros enquadramentos descritos no boletim de ocorrência.