A Prefeitura de São José dos Campos repassou R$ 144,7 milhões às três empresas que operam o serviço de transporte público na cidade em 2025, a título de subsídio. O montante representa um aumento de 66% sobre os repasses feitos no ano anterior, que somaram R$ 86,8 milhões.
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Iniciados em outubro de 2020, ainda na fase mais crítica da pandemia de Covid, os repasses eram justificados como uma forma de "proporcionar o reequilíbrio econômico e financeiro do contrato de concessão". Ano a ano, no entanto, as transferências têm aumentado. Confira abaixo, em valores de cada ano (sem correção pela inflação até os dias atuais):
De outubro de 2020 a dezembro de 2025, os repasses somaram R$ 425,683 milhões. Desse total, 33,99% foram pagos às concessionárias apenas no ano passado.
No início, o pagamento do subsídio era justificado como uma forma de manter a tarifa congelada - o preço da passagem de ônibus permaneceu inalterado entre janeiro de 2020 e fevereiro de 2025.
No entanto, apenas nos últimos 11 meses, a tarifa teve dois aumentos. O primeiro, de 20%, ocorreu em fevereiro do ano passado.
O segundo aumento, de 8,3%, vai entrar em vigor na semana que vem, a partir do dia 29 de janeiro.
Confira abaixo a receita obtida anualmente pelas concessionárias, com a venda de passagens, em valores de cada ano (sem correção pela inflação até os dias atuais):
Confira agora a soma da receita de bilhetagem com o subsídio pago pela Prefeitura:
Firmados em abril de 2008, os contratos com a Joseense e a Expresso Maringá deveriam ter sido encerrados em abril de 2020, mas já sofreram cinco prorrogações, sendo a última delas para outubro de 2026. Já o contrato com a Saens Peña, que foi firmado em outubro de 2010 e deveria ter sido encerrado em fevereiro de 2021, foi prorrogado quatro vezes, sendo a última também para outubro de 2026, quando a Prefeitura espera colocar em operação o novo sistema de transporte público, com ônibus elétricos alugados - apenas a locação dos veículos deve custar R$ 2,7 bilhões em 15 anos.
Dos R$ 425,6 milhões repassados às empresas entre 2020 e 2025, a título de subsídio, R$ 147,4 milhões foram para a Saens Peña, R$ 140,3 milhões para a Joseense e R$ 137,9 milhões para a Expresso Maringá.
Questionada pela reportagem, a Prefeitura não havia se manifestado sobre o aumento de 66% no gasto com subsídio em 2025 até a publicação do texto. O espaço segue aberto. A Busvale, que representa as três empresas, informou que não iria comentar o caso.