Com apoio da comunidade do Banhado e das vítimas da tragédia do Litoral Norte, a Alesp (Assembleia Legislativa de São Paulo) lançou a Frente Parlamentar de Combate às Mudanças Climáticas, na noite desta segunda-feira (29).
A Frente é composta por 27 do total de 94 deputados estaduais que compõem a Assembleia e tem como objetivo articular os parlamentares, movimentos sociais, ativistas, a academia e entidades da sociedade civil para encontrar soluções para a emergência climática.
O grupo buscará impedir o avanço de propostas de desmonte da legislação ambiental e pretende destacar que as mudanças climáticas são uma questão de classe, pois afetam de forma desproporcional populações minorizadas.
“Quando a gente vê uma tragédia como a de São Sebastião, a gente vê os rostos das pessoas que estão lá. São pessoas pobres, negras, sobretudo mulheres trabalhadoras que perderam suas casas e ainda recai sobre elas a luta por justiça por toda a comunidade”, declarou o deputado estadual Guilherme Cortez, presidente da Frente recém-criada.
Entre os vários representantes de movimentos sociais, indígenas, quilombolas, instituições acadêmicas, ativistas e vereadores de diferentes regiões do estado, o lançamento contou também com a presença de lideranças do Jardim Nova Esperança, do Banhado.
“Sou de uma comunidade centenária que construiu um plano de regularização fundiária. É uma comunidade que está no centro de São José, no meio de uma área verde, onde estão os moradores. Os documentos mostram que a nossa estadia lá colaborou com a preservação do local. Temos que mudar essa narrativa de que nós invadimos e ocupamos terra, que poluímos o meio ambiente”, declarou Renato Vieira, da Associação de Moradores do Banhado.
Representando os moradores de São Sebastião, Cosme Vítor, da Associação de Favelas, compartilhou algumas das queixas dos atingidos pelo desastre do Litoral Norte e pediu que a nova Frente Parlamentar atue com urgência em prol das vítimas da tragédia.
Também de São José dos Campos estiveram presentes o poeta Moraes, do movimento Xô Termelétrica, Jéssica Marques, presidente do Sindicato dos Servidores Municipais de São José dos Campos e a vereadora Amélia Naomi (PT).
Leia mais:
Sobreviventes da tragédia do Litoral Norte reclamam de falta de segurança e abandono
Questão ambiental não impede regularização das moradias do Banhado
Abandono e "criminalização da comunidade" motivaram indenização para famílias do Banhado