11 de julho de 2026
VIOLÊNCIA

Família de Ana Lívia vai denunciar tio de menina de 12 anos por homicídio culposo

Por Thais Perez | Taubaté
| Tempo de leitura: 3 min
Arquivo Pessoal
A arma é um revólver da marca Taurus, do modelo GH 380, descrita como robusta

A equipe jurídica da família de Ana Lívia, menina de 13 anos morta pela amiga de 12, em Taubaté, vai denunciar o tio da atiradora por homicídio culposo, quando não há intenção de matar. Também está sendo feita uma perícia particular para entender a dinâmica do crime, que aconteceu em setembro deste ano, quando Ana Lívia e a amiga estavam esperando uma carona para ir à escola.

De acordo com inquérito policial do caso, obtido por OVALE, a menina afirmou à polícia que a arma que utilizou para balear Ana Lívia na nuca pertencia ao seu tio. Segundo ela, a arma foi tirada da casa do homem, que é agente penitenciário, no domingo. Na terça-feira, ela tirou a vida de Ana Lívia. O tio da acusada está respondendo um TCO (Termo Circunstanciado de Ocorrência), que será julgado no dia 21 de novembro. A pena pode ser de reclusão de até dois anos, pagamento de multa ou serviço comunitário.

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O tio afirmou em depoimento à Polícia Civil que escondia o revólver no fundo de uma gaveta do armário da cozinha. Em sua oitiva, a menina afirmou ter fácil acesso à arma. "Houve uma facilitação muito grande. O agente penitenciario é treinado para resguardar a arma, até por medida do empregador. Isso geralmente é feito em local trancado, de difícil acesso", afirma o advogado Jefferson Coutinho, advogado da família de Ana Lívia. A investigação paralela também quer entender como a menina aprendeu a atirar com a arma e como sabia manuseá-la, já que o revólver estava travado.

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Ele afirmou aos investigadores que possui o costume de guardar sua arma, travada, sem munição, no fundo de uma gaveta do armário da cozinha, enrolada e camuflada, de forma bem escondida sob panos de prato. O homem disse que guarda a arma no local porque é onde ele normalmente permanece durante o dia.

O homem contou que a menina de 12 anos tem o costume de visitá-lo e que nunca perguntou nada sobre a arma de fogo, além de dizer que ela não sabia que ele tinha um revólver na casa, mas que poderia ter “deduzido”, já que ele é agente de segurança.

Dois dias antes do crime, a atiradora pernoitou na casa do tio e padrinho, que mora com sua esposa. Ele conta que não sabe em qual momento a menina pegou a arma, dizendo que o único momento em que saiu da casa foi no domingo de manhã, mas que sua esposa estava no local. O homem tinha a arma desde 2019 e disse que não se recordava com quantas munições a arma estava.

Em sua confissão, a menina afirmou ter “fácil acesso à arma”. Ela afirmou à polícia que já havia visto a arma uma outra vez, por isso sabia que ela estava guardada na gaveta citada pelo tio. A arma é um revólver da marca Taurus, do modelo GH 380, descrita como robusta.

O CRIME.
O caso aconteceu no dia 27 de setembro, no bairro Jardim Paulista, em Taubaté, antes de Ana Lívia e a garota de 12 anos irem para a escola. Pela manhã, Lívia ligou para a mãe perguntando se a amiga podia ir até sua casa para que as duas pudessem ir para a escola juntas, de carona com a mãe de outra colega.

Horas depois, a mãe de Ana Lívia encontrou a menina já sem vida, em seu quarto. De acordo com a polícia, a menina de 12 anos confessou ter atirado contra Ana Lívia com uma arma de fogo que pertence ao seu tio, que trabalha como agente penitenciário.

Lívia foi encontrada com um tiro na nuca, com o corpo caído em cima de uma mesa de cabeceira. A menina foi encaminhada para a Fundação Casa, onde espera por julgamento para definição da medida socioeducativa que será aplicada em seu caso.