Uma nova informação sobre o assassinato de Janaína Cristina Corrêa, de 36 anos, ocorrido na sexta-feira (6), em Caraguatatuba, chama a atenção. Quatro dias antes de ser morta a tiros na presença da filha adolescente, ela havia perdido o companheiro, Luan Vitor Silva Santos, de 21 anos, durante uma intervenção da Polícia Militar no mesmo bairro.
A relação entre os dois foi identificada nos boletins de ocorrência registrados na Polícia Civil. Luan morreu na segunda-feira (2), após ser baleado por policiais militares durante uma ocorrência em uma residência na Viela do Ipiranga, no Jardim Olaria.
Já Janaína foi assassinada na sexta-feira (6), na rua Santa Rita de Cássia, também no Jardim Olaria, por um homem encapuzado que fugiu após efetuar os disparos.
Apesar da proximidade entre as duas mortes, não há confirmação de que os crimes estejam relacionados. A autoria e a motivação do assassinato de Janaína permanecem desconhecidas.
Companheiro morreu durante ação policial
Segundo o boletim de ocorrência registrado em 2 de novembro, a Polícia Militar foi acionada após uma denúncia de ameaça e disparo de arma de fogo durante um desentendimento familiar.
Um homem relatou que havia ido até a residência da ex-companheira para deixar a filha e acabou discutindo com Luan, atual companheiro da mulher.
Conforme a denúncia, Luan teria feito ameaças e, quando o homem deixava o imóvel, teria ocorrido um disparo de arma de fogo.
Os policiais foram acionados e se deslocaram até a residência. Segundo a versão apresentada pela equipe, Luan teria entrado no imóvel e retirado uma arma aparentemente artesanal de uma mochila.
Os agentes afirmaram que deram ordens para que ele soltasse o armamento, mas não foram atendidos.
Durante a intervenção, um policial efetuou três disparos de fuzil, enquanto outro realizou dois disparos de pistola calibre .40.
Luan foi atingido e morreu no local. Equipes do Samu e do Corpo de Bombeiros foram acionadas, mas o óbito foi constatado ainda na residência.
A Polícia Civil determinou a realização de exames periciais para esclarecer as circunstâncias da intervenção, incluindo a trajetória dos tiros e a possível utilização da arma atribuída ao jovem.
Drogas foram encontradas na residência
Durante a ocorrência, os policiais localizaram porções de substância semelhante à maconha, além de um bloco maior do material, uma arma artesanal e um caderno com anotações que poderiam estar relacionadas ao comércio de entorpecentes.
Janaína, que mantinha relacionamento com Luan e residia no imóvel, foi inicialmente incluída na investigação sobre possível envolvimento com o tráfico de drogas.
Entretanto, a autoridade policial responsável pelo registro destacou que não havia elementos concretos suficientes para atribuir a ela participação na atividade criminosa.
O delegado considerou que o simples fato de Janaína morar na residência e manter relacionamento com Luan não seria suficiente para responsabilizá-la criminalmente.
O boletim também registra que ela exercia duas atividades profissionais formais.
Dessa forma, Janaína permaneceu na condição de investigada, sem indiciamento ou prisão por tráfico ou associação para o tráfico naquela ocorrência.
Quatro dias depois, Janaína foi assassinada
Na tarde de sexta-feira (6), Janaína estava saindo de uma residência acompanhada da filha de 15 anos e de outra adolescente de 17 anos quando foi surpreendida por um homem armado.
De acordo com as testemunhas, o criminoso estava nas proximidades do imóvel, encostado em um carro, e se aproximou sem dizer nenhuma palavra.
Usando uma balaclava para esconder o rosto, ele efetuou vários disparos contra a mulher, que morreu no local.
A filha de Janaína relatou aos policiais que o criminoso também teria apontado a arma em sua direção e realizado um disparo que acabou atingindo novamente sua mãe.
Por esse motivo, a Polícia Civil investiga o caso como homicídio consumado e possível tentativa de homicídio contra a adolescente.
O autor dos disparos fugiu correndo e não havia sido identificado até o registro da ocorrência.
Polícia investiga as circunstâncias das duas mortes
Os dois casos foram registrados na Polícia Civil de Caraguatatuba e ocorreram em um intervalo de apenas quatro dias, no Jardim Olaria.
A morte de Luan é investigada como decorrente de intervenção policial, enquanto o assassinato de Janaína é apurado como homicídio de autoria desconhecida.
Até o momento, os registros policiais não estabelecem qualquer relação de causa e efeito entre os episódios.
A Polícia Civil deverá aprofundar as investigações para esclarecer a motivação do assassinato de Janaína e identificar o responsável pelos disparos.