BANCO MASTER

STF mantém prisão de cunhado de Vorcaro, preso no Vale

Por Da redação e Agência Brasil | Potim
| Tempo de leitura: 3 min
Reprodução
Vorcaro e o cunhado
Vorcaro e o cunhado

O presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), ministro Edson Fachin, negou nesta quinta-feira (5) o pedido de liberdade do empresário Fabiano Zettel, investigado na Operação Compliance Zero, que apura fraudes no Banco Master.

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Cunhado do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, Zettel está preso na Penitenciária 2 de Potim, no Vale do Paraíba. O ministro também rejeitou o pedido de prisão domiciliar.

Zettel é acusado de atuar como operador financeiro de Vorcaro, que também está preso. Na decisão, Fachin entendeu que a prisão preventiva é necessária para o andamento das investigações.

“A prisão preventiva autorizada nos autos segue adequada e indispensável à aplicação da lei penal, à manutenção da ordem pública e à conveniência da instrução criminal, devendo ser mantida”, escreveu o ministro.

Zettel foi preso pela Polícia Federal em março deste ano e está custodiado no Complexo Penal da Penitenciária 2 de Potim.

Vorcaro e Zettel passaram por Potim

Vorcaro e Zettel foram transferidos para a unidade de Potim em 5 de março, um dia depois da prisão do ex-banqueiro em São Paulo. Os dois ficaram inicialmente em uma cela de observação, procedimento adotado para novos presos.

A permanência de Vorcaro no Vale durou apenas um dia. Em 6 de março, ele foi levado para Brasília, após decisão do ministro André Mendonça, do STF, que autorizou a transferência para uma unidade federal. Zettel permaneceu em Potim e segue em prisão preventiva.

Áudios mencionam R$ 20 bilhões no exterior

Em conversa gravada, Zettel disse que Vorcaro teria mantido R$ 20 bilhões no exterior e não conseguia acessar os recursos diante do avanço das investigações sobre o Banco Master. As informações foram divulgadas pela revista piauí, que obteve áudios e mensagens de WhatsApp entre Zettel e uma mulher com quem ele manteve relacionamento extraconjugal.

A conversa é de 2 de dezembro de 2025, após a liquidação do Banco Master pelo Banco Central e depois da primeira prisão de Vorcaro. “Ele guardou 20 bi no exterior e não consegue ir lá, não consegue gastar, não consegue pegar”, disse Zettel, segundo a gravação.

O valor, porém, é uma informação atribuída a Zettel. Até o momento, não se trata de cifra apresentada publicamente pela Polícia Federal ou pelo Banco Central como confirmação de recursos de Vorcaro no exterior.

Gravações revelam bastidores do Master

As conversas obtidas pela piauí abrangem o período entre o início de 2023 e a prisão de Zettel. Além da situação financeira de Vorcaro, os diálogos mostram a atuação do cunhado em operações do grupo, em pagamentos e em outras demandas ligadas ao ex-banqueiro.

Em outro trecho, Zettel afirma que Vorcaro estava sem dinheiro disponível e enfrentava dificuldades para pagar despesas, inclusive com a defesa jurídica. Segundo o relato, o problema não seria necessariamente a inexistência de patrimônio, mas a impossibilidade de acessar recursos mantidos fora do Brasil. É nesse contexto que surge a referência aos R$ 20 bilhões.

A conversa ocorreu semanas depois de o Banco Central decretar a liquidação do Banco Master, em novembro de 2025, e após Vorcaro deixar a prisão sob medidas cautelares.

Zettel recebeu R$ 485 milhões de empresa investigada

O nome de Zettel já havia aparecido em outras frentes da investigação. Em março, a Folha de S.Paulo informou que o empresário recebeu R$ 485 milhões da Super Empreendimentos, empresa investigada pela PF no caso Master.

Segundo os dados obtidos pelo jornal, os repasses ocorreram entre julho de 2022 e janeiro de 2026. Só em 2025, foram 264 transferências, que somaram R$ 160 milhões. A empresa é investigada sob suspeita de ter sido usada como canal de pagamentos ligados ao grupo de Vorcaro.

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