A Congregação das Irmãs Pequenas Missionárias de Maria Imaculada, fundada em São José dos Campos, completa 90 anos no próximo domingo (8). Criada a partir de um trabalho de acolhimento a pessoas com tuberculose, a instituição construiu uma trajetória marcada pela assistência à saúde, pelo atendimento social e por ações humanitárias que hoje ultrapassam as fronteiras do Brasil.
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Para celebrar o jubileu, a Congregação prepara uma programação religiosa entre os dias 5 e 8 de novembro, com atividades em paróquias de São José dos Campos e uma missa solene na Catedral São Dimas.
A história começou em 1922, quando Dulce Rodrigues dos Santos, que posteriormente adotou o nome religioso de Madre Maria Teresa de Jesus Eucarístico, chegou à cidade para tratar a tuberculose. Sensibilizada com a situação de outros pacientes que também buscavam tratamento na região, ela iniciou um trabalho de acolhimento e assistência aos doentes.
A iniciativa recebeu o apoio de dom Epaminondas Nunes d’Ávila e Silva, primeiro bispo de Taubaté, que incentivou Dulce a transformar o trabalho em uma congregação religiosa. A instituição recebeu a aprovação do Vaticano em 1936, dando origem oficialmente às Pequenas Missionárias de Maria Imaculada.

Congregação mantém hospitais
Nove décadas depois, a Congregação reúne 137 religiosas e está presente no Brasil, em Portugal e em Moçambique. No país, administra cinco hospitais por meio da Rede Madre: Pio 12 e Antoninho da Rocha Marmo, em São José dos Campos; Casa de Saúde Stella Maris, em Caraguatatuba; Hospital Madre Teresa, em Belo Horizonte (MG); e Hospital Marieta Konder Bornhausen, em Itajaí (SC).
A atuação também inclui cinco instituições de longa permanência para idosos, distribuídas entre os estados de São Paulo e Santa Catarina, além de Portugal.
A dimensão do trabalho aparece nos números da Rede Madre, que realiza aproximadamente 740 mil atendimentos por ano. Desse total, 80% são feitos pelo SUS (Sistema Único de Saúde). A rede reúne cerca de 5.600 colaboradores e disponibiliza 1.156 leitos hospitalares.
Em Moçambique, as religiosas mantêm duas missões humanitárias. As atividades incluem atendimento em um centro médico, acolhimento e apoio a meninas em situação de vulnerabilidade social e formação religiosa junto à população local.
Raízes da Congregação
A sede da instituição permanece em São José dos Campos, no antigo Sanatório Maria Imaculada. O complexo reúne a Casa-Mãe, a Capela Maria Imaculada e o Memorial de Madre Maria Teresa, espaço que preserva documentos, fotografias, móveis e objetos ligados à fundadora e à trajetória das religiosas.
O Sanatório Maria Imaculada foi criado em 1935, um ano antes do reconhecimento oficial da Congregação. Na época, a instituição recebia jovens com tuberculose e também abrigou uma escola de enfermagem.
Outro capítulo importante dessa história envolve Antoninho da Rocha Marmo, menino que morreu de tuberculose aos 12 anos. Depois de sua morte, o sanatório construído por sua família com a ajuda de benfeitores foi doado a Madre Maria Teresa. A instituição passou a acolher crianças de diferentes regiões do Brasil e deu origem ao atual Hospital Antoninho da Rocha Marmo.
A preocupação com as famílias dos pacientes também marcou o trabalho da fundadora. Ela criou a Casa Santa Inês para receber os filhos de pessoas que estavam em tratamento contra a tuberculose.
Fundadora é Venerável
A história da Congregação está diretamente ligada ao processo de reconhecimento religioso de Madre Maria Teresa. A fundadora é considerada Venerável pela Igreja Católica, título concedido após o reconhecimento de suas virtudes heroicas pelo papa Francisco, em 2014.
O processo de canonização foi iniciado em 1997. Um possível milagre atribuído à religiosa está em análise no Vaticano. Caso seja reconhecido, poderá representar um avanço em seu caminho para a beatificação.
Na sede da Congregação, a Capela Maria Imaculada também guarda parte dessa memória. Inaugurado em 1º de maio de 1938, o espaço abriga o jazigo de Madre Maria Teresa e recebe missas diariamente.
Programação dos 90 anos
Com o lema “Eu sou o Pão vivo descido do céu, quem comer deste Pão viverá eternamente” e o tema “Dar-nos no serviço da Eucaristia do altar e da Eucaristia do pobre”, a Congregação preparou um tríduo religioso entre os dias 5 e 7 de novembro, em paróquias de São José dos Campos.
O encerramento será no domingo (8), data em que a instituição completa 90 anos, com uma missa solene às 17h, na Catedral São Dimas.
“Celebrar os 90 anos é revisitar a história de amor que deu início à nossa Congregação. Serão dias especiais de oração, gratidão e celebração por tudo o que o Senhor realizou em nossa história e pela missão que continuamos a abraçar. Todos estão convidados”, afirma Madre Vilma Marlene de Andrade, superiora-geral da Congregação.