EMOÇÃO

Família de transplantada acredita que rim seja de Miguel, de SJC

Por Leandro Vaz | São José dos Campos
| Tempo de leitura: 5 min
Da redação
Reprodução
Caryta logo após o transplante de rins e Miguel, que morreu em acidente
Caryta logo após o transplante de rins e Miguel, que morreu em acidente

A família de Caryta Micaelly de Souza Lopes, de 16 anos, moradora de Ji-Paraná, em Rondônia, acredita que o rim transplantado na adolescente seja de Miguel Meneses, goleiro de 14 anos do São José Esporte Clube, que morreu no dia 27 de outubro após um acidente de trânsito no Anel Viário de São José dos Campos.

A história ganhou repercussão nas redes sociais depois que páginas compartilharam um vídeo publicado por Carlito de Oliveira, pai de Caryta. Na gravação, ele comemora o sucesso do transplante e afirma acreditar que o órgão recebido pela filha tenha sido doado pela família de Miguel.

A reportagem não conseguiu confirmar oficialmente que o rim transplantado em Caryta pertenceu ao jovem goleiro. A informação é baseada nos relatos dos familiares da adolescente, que chegaram ao nome de Miguel após pesquisar notícias sobre a morte do atleta e entrar em contato com parentes dele.

A identificação de doadores e receptores de órgãos é protegida por regras de confidencialidade. Por esse motivo, hospitais e equipes responsáveis pelos transplantes não divulgam às famílias a identidade das pessoas envolvidas no processo de doação, preservando o sigilo dessas informações.

Mãe conta como chegou à família de Miguel

Em entrevista à reportagem, Shirley Gomes, mãe de Caryta, contou que a família recebeu a notícia sobre a disponibilidade de um rim no dia 28 de outubro, às 15h12.

Segundo ela, a informação foi recebida com muita emoção, já que a filha enfrentava problemas renais desde a infância.

"Quando a médica mandou mensagem falando sobre a doação, nós ficamos sem chão, de tanta felicidade. Antes de sair da minha cidade, eu disse para meu marido: se eu pudesse, eu daria um abraço nessa mãe", relatou.

Shirley contou que o filho mais velho, Micael, começou a pesquisar notícias sobre possíveis doadores. Durante as buscas, encontrou uma reportagem sobre a morte de Miguel Meneses e a decisão dos pais de autorizar a doação de seus órgãos.

A partir das informações divulgadas, a família passou a considerar a possibilidade de Miguel ser o doador.

"Foi quando ele encontrou uma notícia falando do Miguel, e fomos juntar as informações. Porque é protocolo do hospital não falar sobre o doador e quem recebe. E, pela descrição, nós não tínhamos dúvida nenhuma", afirmou Shirley.

A mãe de Caryta procurou Selma Meneses, tia de Miguel, que confirmou à reportagem ter sido contatada pela família da adolescente.

Segundo Shirley, Selma encaminhou seu contato à mãe do goleiro, e as duas conversaram posteriormente.

Durante a conversa, Shirley perguntou sobre o peso de Miguel, informação que, segundo ela, reforçou a suspeita de que o órgão recebido pela filha fosse do adolescente.

"Então não restou dúvida, era dele mesmo", declarou.

Apesar da convicção dos familiares, não há confirmação oficial sobre a identidade do doador.

Adolescente enfrenta problemas renais desde os três anos

Caryta foi diagnosticada com rins policísticos ainda na infância. Segundo a mãe, o tratamento começou quando ela tinha três anos, pouco antes de completar quatro.

Desde então, a adolescente passou a realizar acompanhamento médico no Hospital de Clínicas da Unicamp, em Campinas. A família precisava viajar de Rondônia para São Paulo a cada três meses para as consultas.

Ao todo, foram aproximadamente 13 anos de tratamento.

Shirley contou que a filha fazia uso de medicamentos para controlar a pressão arterial desde os quatro anos de idade.

Em agosto deste ano, a função renal apresentou uma piora. No dia 10 de setembro, Caryta precisou passar pela implantação de um cateter para iniciar o tratamento com hemodiálise.

A oportunidade de realizar o transplante surgiu no final de outubro.

Viagem de Rondônia para Campinas e transplante

A família recebeu a notícia sobre a disponibilidade do órgão no dia 28 de outubro e iniciou o deslocamento para Campinas.

Segundo Shirley, eles seguiram para Porto Velho, onde embarcaram em um voo às 3h20 da madrugada do dia 29.

A chegada a Campinas ocorreu às 11h10. Por volta do meio-dia, Caryta deu entrada no hospital para os preparativos da cirurgia.

Às 17h10, ela foi encaminhada ao centro cirúrgico.

O transplante foi realizado com sucesso, segundo os familiares.

Em vídeo divulgado nas redes sociais, Carlito de Oliveira contou que a filha apresentou sinais positivos de recuperação logo após o procedimento.

"O procedimento cirúrgico foi um sucesso. O rim transplantado já está funcionando. Hoje de manhã ela já se alimentou, já tomou água, já tomou chá e já fez xixi", afirmou.

Na mesma gravação, o pai agradeceu às pessoas que contribuíram financeiramente e fizeram orações pela filha. Ele também mencionou a família de Miguel.

"Uma família que nunca nos viu, que a gente nunca viu, que a gente não conhece, mas que doou um órgão de um jovem de 14 anos, um atleta, o Miguel. E hoje o rim dele está dando vida à minha filha", declarou.

Caryta permanece internada na Unicamp

De acordo com a mãe, Caryta continua internada no Hospital de Clínicas da Unicamp, em Campinas, para acompanhamento após o transplante.

A família ainda não recebeu uma previsão de alta.

A adolescente completará 17 anos no próximo dia 12 de novembro.

Miguel morreu após acidente no Anel Viário

Miguel Meneses, de 14 anos, morreu no dia 27 de outubro, dois dias depois de sofrer um grave acidente de carro no Anel Viário de São José dos Campos.

O adolescente era goleiro da equipe Sub-15 do São José Esporte Clube, conhecida como Meninos da Águia.

Após a morte, os pais autorizaram a doação dos órgãos do filho, conforme comunicado divulgado pelo clube.

A decisão foi anunciada publicamente pelo São José Esporte Clube e teve repercussão entre torcedores e moradores da região.

No caso de Caryta, a família acredita que o transplante tenha sido possível graças à doação de Miguel. Entretanto, a ligação entre os dois casos permanece baseada nas informações reunidas pelos familiares, sem confirmação oficial da identidade do doador.

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