ELEIÇÕES 2026

Em live, Flávio fala em disputar Presidência antes de 2030

Por Jesse Nascimento | São José dos Campos
| Tempo de leitura: 7 min
Reprodução
Em live, Flávio fala em disputar Presidência antes de 2030
Em live, Flávio fala em disputar Presidência antes de 2030

A transmissão ao vivo realizada pelo senador Flávio Bolsonaro na noite desta sexta-feira (30) marcou sua primeira manifestação sobre a saída do Brasil após a derrota na eleição presidencial. Durante a live, ele afirmou que pretende manter sua atuação política no exterior, defendeu o senador Rogério Marinho para a presidência do Senado e declarou estar disposto a disputar novamente o Palácio do Planalto.

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“Eu não tô falando de 2030, não. Eu tô falando de antes disso”, afirmou Flávio, sem explicar qual situação permitiria uma nova disputa antes da próxima eleição presidencial regular.

Ao longo da transmissão, o senador apresentou sua versão sobre a decisão de deixar o país, criticou o ministro Alexandre de Moraes e questionou o resultado eleitoral. Também fez previsões negativas sobre a economia brasileira e pediu mobilização de deputados, senadores e apoiadores.

“Eu não saí do Brasil. Eu saí pelo Brasil”, declarou. Flávio disse estar acompanhado da esposa, Fernanda, e das duas filhas. Segundo ele, permanecer fora do país permitirá que tenha mais liberdade para se manifestar politicamente.

As acusações de perseguição política e de irregularidades eleitorais foram apresentadas pelo próprio parlamentar. Na transcrição da live, entretanto, ele não apresentou documentos, cálculos ou outros elementos que comprovassem suas alegações sobre o resultado das urnas.

Flávio Bolsonaro menciona nova candidatura antes de 2030

Na parte final da transmissão, Flávio afirmou que poderá voltar a disputar a Presidência da República e relacionou essa possibilidade à votação que recebeu em 2026.

“Qualquer coisa que aconteça, eu vou estar aqui”, declarou, antes de afirmar que estaria preparado, “inclusive se for preciso para disputar a presidência da república de novo”.

O senador agradeceu pelos “quase 60 milhões de votos” que afirmou ter recebido e disse que o resultado representa um incentivo para continuar sua atuação política.

“Eu não tô falando de 2030, não. Eu tô falando de antes disso”, acrescentou.

Flávio, porém, não detalhou a hipótese mencionada nem apresentou um caminho institucional para a realização de uma eventual eleição antecipada. A declaração indica sua disposição de voltar a concorrer, mas não representa o anúncio de uma disputa já convocada ou de uma candidatura formalizada.

Senador relata intimação após visita a Jair Bolsonaro

Ao explicar os motivos que o levaram a deixar o Brasil, Flávio afirmou que a decisão foi tomada depois de uma visita ao pai, Jair Bolsonaro, na manhã da segunda-feira seguinte à eleição.

Segundo o senador, ele recebeu autorização para permanecer durante 30 minutos com o ex-presidente, na condição de advogado.

“Eu não sabia que ia ser a última vez. Eu não sei quando é que eu vou poder vê-lo mais uma vez”, afirmou.

De acordo com o relato, ao terminar a visita, Flávio foi informado de que policiais federais estavam na entrada da residência. Ele disse ter recebido uma intimação relacionada à entrega dos passaportes e à proibição de deixar o Brasil.

“Pai, começou a perseguição até um pouco antes do que eu imaginava que começaria”, contou ter dito a Jair Bolsonaro.

Flávio também reproduziu uma pergunta que atribuiu ao pai: “Já sabe onde é que eles querem chegar com isso, né?”. Segundo o senador, ele respondeu: “Pai, já sei”.

O relato sobre a conversa familiar corresponde à versão apresentada pelo parlamentar durante a transmissão. Ele afirmou que, depois do encontro, voltou para casa e conversou com a esposa sobre a possibilidade de deixar o país.

“A decisão eu tomei junto com a minha esposa”

Ao explicar a viagem, Flávio afirmou que a iniciativa foi discutida apenas com a esposa e pediu que os apoiadores não responsabilizassem integrantes de seu grupo político pela decisão.

“A decisão eu tomei junto com a minha esposa, sem que ninguém soubesse”, declarou. Em seguida, acrescentou: “Até porque, né, se soubesse a chance de dar errado seria maior”.

Na transcrição analisada pela reportagem, o senador não apresentou detalhes sobre o deslocamento. Em vez disso, concentrou sua explicação no receio de sofrer novas restrições e na intenção de continuar se comunicando com sua base eleitoral.

“Eu soube fazer análise de cenário, entendi onde é que eles chegariam e rápido, mais rápido do que eu imaginava”, afirmou.

Sobre sua atuação política daqui para a frente, Flávio disse que pretende ampliar sua participação nas redes sociais.

“Eu vou poder ser uma voz um pouco mais ativa ainda de todos vocês”, declarou.

PF apura saída do país após restrição judicial

A saída de Flávio ocorreu após uma decisão do ministro Alexandre de Moraes que proibiu o senador de deixar o Brasil e determinou a entrega de seus passaportes. A Polícia Federal informou que investiga as circunstâncias da viagem e cancelou os documentos brasileiros do parlamentar.

Segundo informações divulgadas pela Agência Brasil, as medidas foram adotadas no contexto de uma investigação sobre suspeitas de lavagem de dinheiro e evasão de divisas. Flávio e o advogado Willer Tomaz, que também é investigado, negam irregularidades.

A Polícia Federal esclareceu que restrições relacionadas a documentos de viagem, por si só, não tornam uma pessoa foragida nem autorizam automaticamente sua prisão ou vigilância permanente.

Durante a live, Flávio contestou os fundamentos da decisão judicial e afirmou que um documento do banco Santander afastaria sua ligação com uma empresa mencionada na investigação. O conteúdo desse documento, porém, não consta na transcrição fornecida à reportagem.

Flávio defende Rogério Marinho para presidência do Senado

Um dos principais encaminhamentos políticos anunciados pelo senador durante a transmissão foi o apoio a Rogério Marinho para comandar o Senado Federal.

“A nossa trincheira neste momento será o Congresso Nacional, em especial o Senado Federal”, afirmou. Na sequência, declarou: “E a pessoa que eu vou indicar é o Rogério Marinho para a presidência do Senado Federal”.

Flávio também pediu que seus eleitores pressionem os parlamentares para apoiar a indicação.

“Vamos cobrar dos senadores que vocês votaram para que votem em Rogério Marinho para a presidência do Senado”, declarou.

O senador voltou ao assunto em diferentes momentos da transmissão e apresentou a eleição da Mesa Diretora do Senado como prioridade de sua articulação política de oposição.

“A única saída que nós temos é a nossa unidade e a gente fazer do Congresso Nacional a nossa trincheira, em especial o Senado Federal”, afirmou.

Questionamentos eleitorais são feitos sem apresentação de provas

Flávio também contestou o resultado da disputa presidencial e utilizou uma comparação com o futebol para acusar seu adversário de descumprir as regras eleitorais sem sofrer consequências.

“Foram vários gols de mão que o meu adversário fez e que não foram anulados aí pelo VAR”, declarou.

O senador ainda alegou que ocorreram situações que seriam “matematicamente impossíveis” e prometeu apresentar explicações sobre seus questionamentos em outra oportunidade. Na transcrição da transmissão, entretanto, não detalhou quais seriam essas situações nem apresentou dados que permitissem verificar as alegações.

“Eu perdi para o sistema, não perdi para o meu adversário”, afirmou.

Ao agradecer pelos votos recebidos, Flávio disse que eles “realmente vieram de eleitores reais”. A declaração indica desconfiança em relação à votação obtida pelo adversário, mas também não foi acompanhada de provas de irregularidades eleitorais.

Senador prevê desgaste do governo pela economia

A situação econômica do país também foi um dos temas abordados durante a transmissão. Flávio afirmou acreditar que a economia será o principal fator de desgaste do atual governo e previu dificuldades para os próximos anos.

“A minha expectativa é que a economia vai ser o principal fator de desgaste do atual governo”, declarou.

Ao comparar o cenário com o período do governo de Dilma Rousseff, afirmou: “O cenário é muito pior do que o da Dilma lá em 2014, 2015”.

O senador também falou em uma possível “quebradeira generalizada”, expressão utilizada para descrever sua avaliação sobre o futuro econômico do país.

As declarações representam previsões e avaliações políticas de Flávio Bolsonaro. Durante a transmissão, ele não apresentou indicadores econômicos ou projeções que sustentassem a dimensão do cenário descrito.

Flávio critica Judiciário e pede mobilização de apoiadores

Na transmissão, o senador também fez críticas ao Poder Judiciário e às instituições brasileiras. Ele acusou órgãos públicos de aparelhamento e classificou a situação política do país como um “regime de exceção”.

Flávio ainda afirmou que Jair Bolsonaro estaria sendo utilizado como instrumento de negociação política.

“As instituições estão completamente aparelhadas”, declarou. As acusações foram apresentadas como avaliações do parlamentar, sem demonstração documental durante a live.

Ao encerrar a transmissão, Flávio pediu que deputados e senadores mantivessem a atuação no Congresso Nacional e convocou seus apoiadores a continuar mobilizados.

“Não acabou o jogo. Vamos continuar lutando”, afirmou. Em seguida, concluiu: “A força vem do povo, a força vem de vocês, a força vem da gente”.c

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