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'Guaidó de Taubaté'; revista ironiza Flávio Bolsonaro após fuga

Por Marcos Eduardo Carvalho | Taubaté
| Tempo de leitura: 2 min
Reprodução
Flávio Bolsonaro e Juan Guaidó
Flávio Bolsonaro e Juan Guaidó

As articulações políticas do senador Flávio Bolsonaro no exterior ganharam um contorno de ironia no cenário nacional. Após se declarar “o verdadeiro presidente eleito do Brasil” e, posteriormente, recuar para a alcunha de “líder”, o parlamentar virou alvo de uma análise da revista Carta Capital, que o apelidou de “Guaidó de Taubaté”.

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O termo funde o cenário geopolítico sul-americano ao imaginário popular do Vale do Paraíba, usando o nome da segunda maior cidade da RMVale para retratar uma narrativa sem respaldo prático.

O paralelo venezuelano

Em carta e manifestações divulgadas no exterior, Flávio Bolsonaro citou personalidades históricas como Rui Barbosa, Charles de Gaulle e José Martí na tentativa de enquadrar sua ida ao exterior como um ato de resistência democrática.

Contudo, para a Carta Capital, o paralelo real do senador é Juan Guaidó. Em 2019, o então presidente da Assembleia Nacional da Venezuela autoproclamou-se “presidente interino” do país, desafiando o regime de Nicolás Maduro. Embora tenha recebido rápido apoio do ex-presidente norte-americano Donald Trump e de governos alinhados, Guaidó nunca exerceu o controle do Estado venezuelano. Sem poder efetivo, a estrutura fictícia do opositor, sediada em um escritório em Miami, acabou dissolvida em 2022.

A expressão popular nasceu no município em 2012, no célebre caso de Maria Verônica Aparecida César Santos.

Na ocasião, a moradora mobilizou a imprensa e a comoção nacional ao afirmar que estava grávida de quadrigêmeas. Com uma barriga desproporcional, ela chegou a receber doações, enxovais e espaço em programas de TV. Pouco tempo depois, descobriu-se que a gestação era uma farsa: sob os vestidos, havia uma prótese de silicone preenchida com tecidos.

Do meme ao vocabulário político

Desde a revelação do caso no Vale do Paraíba, o adjetivo “de Taubaté” consagrou-se no vocabulário popular e no jornalismo brasileiro para classificar qualquer situação simulada, sem substância real ou inventada para gerar impacto estético.

Ao classificar o parlamentar como o "Guaidó de Taubaté", a publicação realiza uma dupla crítica: de um lado, compara a falta de poder institucional do senador ao governo paralelo de Juan Guaidó; de outro, usa a marca registrada do folclore taubateano para sugerir que o autointitulado posto de liderança no exterior não passa de uma encenação política.

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