LITERATURA

Duas autoras de São José são finalistas do Prêmio Jabuti 2026

Por Xandu Alves | São José dos Campos
| Tempo de leitura: 4 min
Reprodução
Magô Pool (à esquerda) e Juliane Gazzi Bortolucci
Magô Pool (à esquerda) e Juliane Gazzi Bortolucci

Duas escritoras de São José dos Campos disputaram como finalistas do Prêmio Jabuti 2026, uma das mais importantes premiações literárias do Brasil.

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Juliane Gazzi Bortolucci concorreu na categoria Infantil com o livro “Alfabeto Atrapalhado”, publicado pela editora Asinha. Já Magô Pool disputou a categoria Histórias em Quadrinhos com “Segue o Baile”, lançado pela Veneta.

A presença das duas autoras na lista de finalistas destaca a produção literária de São José dos Campos e amplia a visibilidade de artistas do Vale do Paraíba no cenário nacional. As obras chegaram à etapa final em categorias diferentes, que reconhecem trabalhos voltados ao público infantil e à narrativa em quadrinhos.

Juliane Bortolucci

Moradora de São José dos Campos, Juliane Gazzi Bortolucci é formada em Direito e atua como comerciante. Nascida na capital paulista, encontrou na escrita uma forma de expressão e de busca interior.

Seu livro “Alfabeto Atrapalhado” foi selecionado entre os cinco finalistas do Jabuti na categoria Infantil. Publicada pela editora Asinha, a obra levou o nome da escritora do Vale do Paraíba à disputa por um dos principais reconhecimentos da literatura brasileira.

A indicação representa uma conquista para a autora e dá visibilidade à literatura infantil produzida por escritores da região.

Magô Pool

Nascida em São José dos Campos, Magô Pool é o nome artístico de Maria Goretti Porto de Oliveira. Roteirista, quadrinista e ilustradora, ela construiu uma trajetória marcada pela produção autoral, pela experimentação artística e pela atuação na formação de novos leitores e criadores.

Sua entrada no universo dos quadrinhos ocorreu em 2006, com a participação na coletânea “Tiras de Letra: Todo Dia”, publicada pela Editora Virgo. No ano seguinte, a obra foi indicada ao Troféu HQ Mix, uma das principais premiações brasileiras dedicadas aos quadrinhos.

Em 2008, Magô passou a produzir charges com temática musical para o extinto portal MTV Overdrive. Ao longo dos anos, colaborou com publicações regionais e nacionais e ministrou oficinas de histórias em quadrinhos em diferentes cidades paulistas, inclusive na Fundação Casa, por meio da POIESIS.

Em 2022, lançou de forma independente sua primeira graphic novel, “Bicho Selvagem”, viabilizada por financiamento coletivo. O trabalho lhe rendeu reconhecimento no Prêmio Pretas Potências, voltado ao incentivo de produções de criadores negros no Brasil.

A obra ganhou nova edição pela Veneta em 2024. No mesmo ano, Magô publicou de forma independente a coletânea “Histórias Contadas Enquanto Eu Vendia Pipoca na Esquina da Galeria de Arte”, que reuniu narrativas curtas divulgadas anteriormente nas redes sociais.

Em novembro de 2025, a artista lançou “Segue o Baile”, sua segunda graphic novel. O livro ganhou espaço em seleções de destaque dos quadrinhos em 2026, incluindo listas da revista O Grito! e o top 10 do Prêmio Grampo. A obra também foi indicada ao Troféu Angelo Agostini, na categoria Desenhista/Roteirista.

A indicação ao Jabuti consolidou mais um reconhecimento para a trajetória da quadrinista, que também conquistou o segundo lugar no Prêmio Adolfo Aizen, na categoria dedicada aos quadrinhos do Prêmio Literário da Fundação Biblioteca Nacional.

Ao comentar a indicação ao Jabuti, Magô destacou o significado pessoal da conquista e a persistência necessária para construir sua trajetória como autora.

“Ser finalista do Jabuti com uma HQ que escrevi a partir de tanta angústia e urgência é uma daquelas coisas que me fazem parar por alguns instantes e olhar para a minha própria história”, afirmou.

A artista também ressaltou a importância de continuar escrevendo e desenhando mesmo diante das dificuldades e reconheceu a influência de sua ancestralidade em sua caminhada.

Em 2026, Magô ainda integrou o júri de seleção do 53º Salão Internacional de Humor de Piracicaba e participou da programação da Alameda dos Artistas, espaço dedicado aos quadrinhos na Bienal Internacional do Livro de São Paulo.

Vencedores do Prêmio Jabuti 2026

Apesar da presença das duas autoras de São José dos Campos entre as finalistas, os primeiros lugares nas categorias disputadas ficaram com outros trabalhos.

Na categoria Histórias em Quadrinhos, o primeiro lugar foi para “Ouroboros”, de Luckas Iohanathan, publicado pela Comix Zone.

Já na categoria Infantil, a obra vencedora foi “A letra”, de Leo Cunha e Raquel Matsushita, publicada pela Maralto.

Mesmo sem conquistar o primeiro lugar, a presença de Juliane Bortolucci e Magô Pool entre as finalistas coloca duas produções ligadas a São José dos Campos em evidência na principal premiação literária do país.

Veja a lista de todos os vencedores do Prêmio Jabuti 2026 (clique aqui).

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