A CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) defendeu a Constituição Federal, o Estado Democrático de Direito e o respeito aos resultados das urnas em uma mensagem divulgada nessa quarta-feira (21), às vésperas do segundo turno da eleição presidencial.
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O documento também pede que Nossa Senhora Aparecida interceda pelo país e destaca a importância da verdade, da fraternidade e da paz.
A manifestação ocorre após um embate entre a entidade e o senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência, que acusou integrantes da CNBB de colaborar na disseminação de uma notícia falsa envolvendo Nossa Senhora Aparecida. A mensagem, assinada pelo Conselho Permanente da Conferência, não cita candidatos ou partidos políticos.
No texto, os bispos afirmam que o Brasil precisa garantir trabalho digno, alimentação, moradia, saúde, educação e segurança de qualidade. Também defendem a proteção do meio ambiente, a garantia dos direitos humanos e a promoção da paz.
“Espera-se que todos(as) os(as) eleitos(as) assumam esses compromissos com determinação”, afirma o documento, inspirado no trecho bíblico “Buscai em primeiro lugar o Reino de Deus e sua justiça”.
Respeito às urnas
A entidade reforça que a escolha dos governantes deve ser respeitada e destaca que o voto é livre e secreto. A mensagem classifica como inadmissíveis as ameaças e pressões contra eleitores, assim como a negociação de votos.
Os bispos também lembram que a responsabilidade dos cidadãos não termina após a votação. Segundo a CNBB, cabe à população acompanhar a atuação dos governantes, fiscalizar as decisões e reivindicar direitos.
O documento ressalta ainda a importância da informação confiável, da liberdade de expressão e da proteção a pessoas que denunciam injustiças. Para a entidade, o diálogo e a crítica responsável são fundamentais para fortalecer a democracia.
A mensagem orienta os eleitores a considerar a trajetória dos candidatos, suas práticas e seus compromissos com a democracia e com as condições de vida da população.
Embate com Flávio Bolsonaro
A publicação ocorre semanas depois de Flávio Bolsonaro acusar integrantes da CNBB de ajudar o PT a disseminar uma notícia falsa sobre uma suposta proposta para retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil.
A polêmica teve como referência um projeto de lei apresentado em 2007 pelo então deputado federal Victório Galli. A proposta pretendia alterar a legislação sobre o feriado de 12 de outubro, substituindo a expressão “padroeira do Brasil” por “padroeira dos brasileiros católicos apostólicos romanos”. O projeto não avançou e foi arquivado em 2008.
Não há evidências sólidas de que Flávio pretendesse retomar a proposta. O senador classificou as publicações sobre o assunto como fake news.
Após as acusações, a CNBB negou ter autorizado a divulgação de informações falsas e afirmou que não integra estruturas político-partidárias. A entidade também ressaltou que suas manifestações eleitorais fazem parte de sua missão pastoral.
Apelo à Padroeira do Brasil
Na conclusão, os bispos fazem um chamado à responsabilidade coletiva e à atenção aos mais vulneráveis, incluindo os pobres e aqueles que enfrentam ameaças ou trabalham pela justiça.
O texto pede que os brasileiros superem a indiferença e construam uma convivência baseada na verdade, na fraternidade e na paz.
“Que Nossa Senhora Aparecida, Padroeira do Brasil, interceda por nós e ajude-nos a vencer a indiferença e a construir uma convivência fundada na verdade, na fraternidade e na paz”, diz o trecho final da mensagem, divulgada em Brasília.
A declaração foi assinada pelo Conselho Permanente da CNBB em 21 de outubro de 2026, quatro dias antes do segundo turno presidencial, marcado para domingo (25).
Confira a mensagem na íntegra (acesse aqui).