A advogada de 42 anos que chutou a porta de uma vizinha enquanto estava enrolada em uma toalha já havia sido denunciada por injúria racial por outra moradora do mesmo condomínio. Em maio deste ano, a vítima registrou um boletim de ocorrência após, segundo seu relato, ser alvo de ofensas racistas.
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O caso ocorreu em Águas Claras, no Distrito Federal. A moradora relatou que os ataques verbais aconteceram quando ela passava em frente ao apartamento da advogada, no décimo andar do edifício. Segundo a denúncia, a mulher teria usado expressões racistas para ofendê-la, incluindo os termos “preta, pobre, suja, imunda, favelada e má”.
Moradora relata ameaças de morte e novos ataques
A vítima, que tem pele morena e cabelo cacheado no estilo black power, acredita que suas características físicas possam ter motivado as ofensas. Ela também afirmou que o irmão, que é negro, teria sido chamado de “macaco” pela mesma advogada.
Em entrevista ao Metrópoles, a moradora disse que sofreu ameaças de morte em pelo menos duas ocasiões. Uma delas teria ocorrido quando saía de casa, enquanto a outra, segundo o relato, aconteceu na rua, semanas antes da entrevista.
A mulher também afirmou que a advogada tentou agredi-la em outra ocasião, quando sua mãe e seu irmão estavam presentes. Foi nesse episódio, conforme a denúncia, que o irmão teria sido alvo da ofensa racista.
Os relatos fazem parte de um histórico de conflitos entre a advogada e outros moradores do condomínio. As acusações ainda devem ser apuradas pelas autoridades competentes.
Advogada chutou porta de vizinha enrolada em toalha
Na terça-feira (20), a advogada foi filmada gritando e chutando a porta de outra moradora até quase danificar a estrutura. O episódio aconteceu por volta das 8h52 e também ganhou repercussão após a divulgação das imagens.
A vizinha, de 30 anos, contou que precisou segurar a porta para impedir que ela cedesse com a força dos golpes. Segundo a moradora, outros residentes já teriam enfrentado situações semelhantes.
Os conflitos no décimo andar, de acordo com os relatos reunidos pelo Metrópoles, estariam relacionados à alegação da advogada de que mantém um relacionamento com o empresário Elon Musk e precisa preservar sua privacidade. Em vídeos, a mulher aparece gritando e repetindo o nome do bilionário.
Moradores afirmam que acionam a Polícia Militar e o Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) durante episódios de maior tensão. Alguns suspeitam que a advogada possa estar enfrentando problemas de saúde mental, mas não há confirmação pública de diagnóstico médico.
Condomínio pede afastamento da advogada
Os conflitos também chegaram à Justiça. O condomínio Edifício Uptown Residence entrou com uma ação para tentar retirar a advogada do imóvel, alegando que multas e notificações não foram suficientes para interromper os episódios.
Entre os documentos apresentados estão boletins de ocorrência por ameaça e injúria racial, relatos de moradores e gravações. A administração também mencionou um incêndio no apartamento que, segundo a ação, teria colocado os demais residentes em risco.
Em junho de 2026, o Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios negou o afastamento imediato da moradora. Na decisão, o desembargador Roberto Freitas Filho ressaltou que retirar alguém da própria residência é uma medida excepcional.
O magistrado considerou que os documentos apontavam a existência de um conflito relevante, mas avaliou que seria necessário examinar melhor a gravidade e a frequência dos episódios, além de confrontar as versões e garantir o direito de defesa da advogada.
A decisão não encerrou o processo nem representa uma conclusão sobre as acusações. O pedido de afastamento ainda deverá ser julgado.
Síndico questiona demora da Justiça
O síndico do condomínio questionou a demora para a adoção de medidas diante das ocorrências relatadas pelos moradores. Segundo ele, a administração busca uma solução para os conflitos e para a preocupação dos residentes com a segurança no edifício.
A defesa da advogada foi procurada pelo Metrópoles para comentar as denúncias e o processo judicial. Até a publicação do material original, não havia manifestação apresentada pela defesa. O espaço permanece aberto para esclarecimentos.